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Blog Vou de Bike

Postado em 24 de junho por Eu Vou de Bike

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Qual a marcha ideal para a bicicleta?

O número “ideal” de marchas de uma bicicleta – e como utilizá-las – é um assunto bem polêmico e extenso. Nossa intenção neste post é dar algumas dicas para você melhorar sua performance e aproveitar melhor sua bicicleta, sem entrar profundamente na matéria. Eu mesmo pedalo uma MTB de 27 marchas, uma Speed de 20 marchas, uma Urbana de 21 marchas e comecei a montar (e me apaixonar por) uma “single speed“, ou seja, uma bike de uma marcha só.

Nos últimos tempos, o mercado de bicicletas assiste a uma revolução no campo das marchas de uma bike. A marca japonesa “Shimano” lançou recentemente um câmbio para Mountain Bikes de 30 marchas! Já temos até câmbios eletrônicos (veremos uma profusão deles no Tour de France 2010) e até automáticos! E, paradoxalmente, atualmente surge com força total um movimento que defende bicicletas minimalistas, sem marcha nenhuma, as chamadas “fixed gears“, ou, carinhosamente, as “fixas”!


Exemplo de bicicleta “fixed gear”: sem marchas, sem freios e sem firulas

Sem entrar em defesa de nenhum grupo, nosso objetivo neste post é falar um pouco sobre como podemos fazer uso correto das marchas em nossas bicicletas, quer sejam 3, 5, 7, 10, 18 ou 21, sendo estas as mais comumente encontradas.

Para começar, a transmissão da bicicleta é constituida basicamente pela corrente, pelos câmbios (dianteiro e traseiro), pelos trocadores (e cabos e demais partes constituintes), pelas coroas e pelo cassete. São nestes últimos que vamos nos focar.

Coroa são as engrenagens dianteiras que ficam junto ao pedivela (a alavanca que sustenta o pedal).

Cassete é o conjunto de engrenagens traseiras que se situam no cubo da roda (próximo do câmbio traseiro).

Infelizmente, de maneira geral, os ciclistas tendem a não utilizar o conjunto coroa-cassete para usufruir de toda a performance e conforto que a bicicleta pode oferecer. Além disto, o uso inadequado diminue bastante a vida útil de tais componentes.

Basicamente, as marchas mais altas oferecem mais resistência na pedalada. Quando selecionamos uma marcha mais pesada do que o trecho solicita, normalmente teremos que fazer mais força e diminuir a cadência.

Recentemente, com o avanço das tecnologias, o ciclista Lance Armstrong demonstrou que girar mais lentamente do que a cadência ideal, utilizando-se mais força, gera perda de performance e, principalmente desperdício de energia.

Ao adotar o uso de uma marcha mais leve e uma cadência (cada giro completo do pedal/ pedivela) mais rápida, Armstrong superou seus concorrentes que estavam ainda “presos ao velho paradigma” de que o ideal era fazer muita força ao pedalar, com um giro menor. Além disto, ao utilizar uma marcha muito “pesada” para o trecho, o ciclista corre um grave risco de distensão muscular e lesão nas articulações, particularmente nos joelhos e nos quadris.

As marchas mais baixas, por sua vez, são indicadas para trechos de subida porque deixam o pedal mais fácil de girar, ficando mais simples girar numa cadência alta. É claro que se estivermos num trecho de descida, ao utilizarmos as marchas mais baixas não aproveitaremos a força da pedalada. A cadência mais alta do que o ideal permite fazer menos força, mas de tanto “girar”, você pode se cansar muito cedo.

Na prática, podemos observar que:

- quando a corrente estiver sobre a coroa interior (a menor), procure utilizar as catracas maiores, desde as mais internas (mais próximas do cubo), até as do meio.

- quando a corrente estiver sobre a coroa exterior (a menor), utilize as catracas menores (as mais externas, próximas ao câmbio).

- procure sempre antecipar seus percursos, ou seja, antes de iniciar uma subida, troque de marcha com antecedência. Antes de a velocidade começar a reduzir, troque para uma marcha menor (coroa menor dianteira e catraca maior traseira), aliviando a pressão das pernas.

- não antecipe demais a mudança de modo a perder seu esforço. Porém, a troca de marcha durante uma subida, além de ser perigosa (poi, devido à tensão da subida a marcha pode não entrar e ocasionar um tombo) pode danificar sua transmissão. Lógico que esta percepção ocorrerá com o tempo, a medida em que você conhecer mais seu equipamento e, principalmente, seus limites!

- nas descidas, aproveite para pedalar! Isto ajuda muito a fazer o ácido lático acumulado nos músculos circular, evitando as famosas caimbras! Troque para uma marcha mais pesada, (coroa grande e catraca pequena), e continue a manter sua velocidade!

- sempre que possível, evite o famoso “cruzamento da corrente“. Este ocorre quando temos uma angulação errada entre a coroa e o cassete (coroa maior e catraca maior ou coroa menor e catraca menor), ocasionando uma tensão lateral na corrente. Eu já vi muita corrente quebrando por causa disto…

- evite também mudar de marcha quando estiver fazendo força no pedal. O ideal é que, ao mudar de marcha, você alivie ligeiramente a pressão da perna no pedal. Isto faz com que a marcha entre de maneira mais “suave”, prolongando a vida útil do conjunto.

Apesar de já termos falado algo por aqui, vamos relembrar um pouco o conceito de cadência.

Por definição, cadência é o número de vezes por minuto que o ciclista completa uma volta no pedal (360′). A medida então é RPM, ou rotações (que o pedivela completa) por minuto.

Posto isto, o ideal é que a cadência seja costante, independente do tipo e do relevo do terreno – daí a necessidade de saber trabalhar direito com as marchas.

Para ilustrar, podemos pensar em um carro: quando aceleramos e desaceleremos muitas vezes, o consumo de combustível é mais alto; na estrada, quando a velocidade é normalmente constante, este consumo tende a diminuir.

Assim, o ciclista deve procurar uma cadência que lhe proporcione conforto e economia de energia durante o movimento, uma vez que não existe uma cadência melhor que a outra: a melhor é a que apresenta equilíbrio entre a velocidade das duas pernas e a força exercida sobre os pedais.

De um modo geral, a cadência ideal para o aquecimento (primeiros dez minutos) é de 40 a 60 RPMs. Pode-se utilizar também esta cadência quando estamos realizando um passeio ou treinos de recuperação (quando ficamos mais de um mês sem pedalar). Após o aquecimento, o ideal é mantermos a cadência entre 70 e 90 RPMs.

Existem no mercado hoje diversos aparelhos capazes de medir esta cadência, que vão desde ciclocomputadores até monitores de frequência cardíaca com funções de ciclismo. Mas, se você não quiser comprar um aparelho, basta usar um relógio e contar quantas voltas completas realizamos no pedivela durante um minuto.

Resumindo

Se estamos “girando muito” (mais de 100 RPMs) sem sair do lugar, devemos mudar para uma catraca menor (normalmente o trocador se localiza do lado direito da bicicleta) e uma coroa maior (normalmente o trocador fica do lado esquerdo da bicicleta), experimentando até sentirmos que a bike se movimenta bem, sem muito esforço (realizando cerca de 70 rotações do pedivela por minuto).

E se estamos girando pouco e fazendo muita força para pedalar, o ideal é mudarmos para uma catraca maior e uma coroa menor. Mas para o uso urbano, normalmente a coroa média com a catraca “do meio” resolve muito bem a situação!

Lembre-se de sempre manter sua corrente lubrificada e, quando notar rangidos e/ou dificuldades para cambiar, leve a bicicleta no mecânico de sua confiança.

E você? Qual a sua experiência? Aproveite para deixar aqui seus comentários!

* Por Guga Machado


Comentário

  • Olá, estou pretendendo comprar uma bicicleta para substituir meu trajeto casa-serviço-casa e nos finais de semana andar pequenas, médias e grandes distâncias (assim que melhorar minha performance). Qual modelo comprar?

    Leandro
  • TRABALHO A 7 KM DA MINHA CASA, NESTE ITINERÁRIO POSSUEM 3 SUBIDAS DE NO MINIMO 900MTS CADA, PRETENDO COMPRAR UMA BIKE, ALGUÉM TEM UMA OPINIÃO DE QUAL MODELO EU POSSA ADQUIRIR! AGRADEÇO.

    CINTIA
  • Muito boa reportagem!
    Leandro, como vc a algum tempo atrás fiz uma boa pesquisa sobre um modelo de bike para voltar a pedalar e como faz mais de 14 anos que não pedalo acabei optando por uma bike tipo MTB para terrenos pouco acidentados!
    Comprei a Caloi Andes 2014, ela é possui o quadro em aço carbono no tamanho 18 que é indicado para pessoas entre 1.70 e 1.80 cm de altura que é o meu caso, possui roda/ pneu aro 26 X 2.10, suspensão frontal de 50 mm, 21V com câmbio Caloi, passadores Grip System da Caloi e outros componentes da própria marca. Não é a melhor bike do mundo, mas, para uma pessoa que está voltando a pedalar, que vai usar também nas horas de lazer e precisava trabalhar o custo x benefícios está foi a melhor opção!
    Pelas minhas pesquisas em sites de bikes e outros que comentam sobre ciclismo, está é uma boa opção para iniciantes e para o lazer.
    Acredito que está bike com alguns acessórios seja capaz de percorrer até uns 40 ou 50 km’s em treino e que com algumas mudanças de peças possa chegar aos 80 km’s de distancia. Porém como descrevi acima está é uma bike indicada para passeio e para iniciantes do ciclismo (MTB leve, Cross Country e Estrada). Não significa que com o passar do tempo, de treino e da distancia não possamos comprar um bike mais cara e melhor adaptada as nossas necessidades (MTB, Cross e Estrada)!
    Existem muitas opção, para todos os gostos, para todas as necessidades, mas, a pergunta maior é quanto vc pode pagar e para o que vc vai usar a bike!

    Xynniu
  • Há um pequeno engano no texto: ” – quando a corrente estiver sobre a coroa exterior (a menor), utilize as catracas menores (as mais externas, próximas ao câmbio). ”
    a coroa exterior é a maior e não a menor como está digitado.
    Bom texto, gostei das dicas!

    Elisio
  • muito legal gostei e aprendi um pouco eu vou falar a verdade .eu tinha a mania de trocar a marcha fazendo força no pedal e me lascava por causa disso hoje mesmo eu ia para a igreja com ela e por causa de eu num saber trocar de marcha a corrente ficou presa entre a catraca menor e o quadro =) alguém a propósito me ajuda meu câmbio traseiro tem a mania de ir parava segunda catraca menor e só depois que eu já tou fazendo força que ele vem inventar de ir pra primeira alguém ajuda por favor :D

    Lucas Ferreira
  • Olá, boa noite. Sou professor de ensino médio tenho 52 anos e voltei a pedalar há alguns meses. Estava bem gordão, só que agora já perdi uns 22 kgs depois que comecei no pedal (tô com 122, agora!!!). Gosto muito de fuçar e você acaba ficando meio fissurado com tanta tecnologia e querendo aprender tudo sobre sua bike. comprei uma bike simples com um quadro nacional o WNY (wendy) 29′ que aguentou bem o meu peso de quase 145 kgs quando comecei, freio a disco manual, Shimano Altus24v trás e frente, suspa KODE, rodas Vnine 36 furos aero. O problema é que estou planejando um upgrade para daqui a um tempo, um presente para quando baixar dos 110 kgs. Pretendo colocar um câmbio Deore 27v, mas tenho uma dúvida quanto os modelos M592 SGS e o M590, parece que o M590 aceita até 10v no cassete, é só essa a diferença? O que você sugere como fazer essa mudança? Preciso trocar o pedivela também, ou dá para ficar só nos câmbios, cassete, corrente e trocadores? Desculpe escrever tanto é que quis aproveitar o espaço para encorajar a galera da pesada (como eu) a pedalar, é muito bom! Abraços, Alvaro José (Colégio Amorim-Tatuapé)

    Alvaro Jose
  • bom dia. adistancia da minha casa para o meu trabalho ida e vouta da 80km eu nunca percorri uma distancia como esa a minha bike e uma caloi speed aro 26 quais sao os equipamento nesesario para que eu posa faser ese trajeto com seguranca.por favor me responda.

    sergio murilo
  • para mim a melhor marca é a shimano

    livi
  • Aprendi bastante com essa materia, principalmente pra não usar machas muito pesadas e pra continuar pedalando mesmo nas descidas evitando aqueles pequenos descansos que dão câimbras e perdemos a cadencia. Obrigado e escreva mais viu

    Antonio Pinheiro
  • Muito bom texto. Realmente a questão da cadência, no caso de viagem é muito importante.
    Minha opinião pessoal sobre o sistema de marchas de bicicletas para uso em viagens e o que me proporciona condições de trãnsito em diversas situações com o menor número possível de intervenções.
    Assim, utilizo e recomendo os cubos traseiros com marchas internas. Não é necessário esticador de corrente nem tão pouco regulagens constantes. Além do fato do mesmo ser imune a poeira, areia e o melhor. Poder passar marchas com a bicicleta parada. Sensacional.

    Paulo Roberto Almeida Britto
  • Massa a matéria, aprendi muito.
    Tenho 50 anos e após 30 anos voltei a pedalar por lazer, pois peso 60kg e 1.7 de
    Altura,ando em uma Soul SL 200, 27V uma média de 25km por dia na orla de
    João Pessoa-PB. É só saúde…

    Jó Ramalho
  • OLA, GOSTEI DAS EXPLICAÇÕES, COM DETALHES IMPORTANTES PARA MIM, OBRIGADO.

    marcelo martins
  • Estou querendo iniciar no pedal, fazendo – a princípio – pequenos trajetos, rodando na minha cidade que é bem ciclável e usar como modal casa-trabalho-casa. A pergunta é: Uma single speed é indicada? To com essa em mente pelo ganho de saúde que acredito obter com um tempo não tão longo… Se essa não for a mais indicada, qual seria? Uma dobrável é uma boa pedida? Desculpa por tantas perguntas, mas agradeço muito desde já! Ah, parabéns pelo site!

    Len Costa
  • Eu quando era pivete tive uma caloi10 e caraca como eu gostava de pedalar nela recentemente adquiri uma c10 das novas de aluminio não me arrependo se o trajeto for no asfalto vai de speed que não vai se arrepender a bike anda muito to curtindo voltar a pedalar

    cauê
  • Hoje com 70 anos de idade, e depois de aproximadamente 35/40 anos sem bicicleta, volto a sentir saudades e a necessidade de fazer algum exercício para minha resistência física e consequentemente a saúde. Comprei uma bicicleta básica pela (internet) e estou iniciando o treinamento. Confesso que além de estar gostando, estou me sentindo mais saudável, visto que durante todos estes 35/40 anos meu trabalho foi viajar diariamente com carro. Por isso já penso em comprar ou montar uma boa bicicleta e com cambio shimano; portanto, gostaria de conhecer opiniões: qual bicicleta montar ou comprar ? E, Parabéns ao GUGA MACHADO pela matéria, GOSTEI

    Vitor Anselmo Guzzoni

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