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Opinião Vou de Bike

Postado em 28 de setembro por gugamachado

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Água mole em pedra dura…

Como diz o dito popular, “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Mas o que isto tem a ver com bicicletas? Bom, é o seguinte: se você é de São Paulo e tem pedalado pela cidade ultimamente, não a lazer, mas sim a trabalho, tem acompanhado a rápida evolução e o respeito que a bicicleta vem ganhando no trânsito da cidade.

Em função de compromissos profissionais, por vários dias tenho realizado trajetos variados, que incluem o centro de SP, a zona sul e a zona oeste. E confesso que chego a ficar emocionado com o respeito que tenho sido tratado. Muitas vezes andando em duplas com outros ciclistas, assumimos a faixa da direita, e, pedalando numa velocidade um pouco mais alta do que o normal, somo respeitados como se fossemos um automóvel, com, inclusive, os ônibus (pasmem!) indo a nossa traseira sem buzinar, e desviando quando possível, sem “tirar fina”…

E tenho certeza que este comportamento muito recente se deve ao trabalho dos “ciclo-ativistas” (água mole) junto a mídia e a população, e também as últimas fatalidades que alguns colegas ciclistas sofreram na cidade, inclusive muitas vezes pagando com a própria vida…

Finalmente me parece que a pedra dura está aprendendo a conviver com a água mole!

Apesar de compreender e apoiar a “Ciclofaixa de Lazer” que temos aqui em SP, bem como as ciclovias segregacionais (onde os demais componentes do trânsito são apartados das bicicletas por barreiras físicas), penso que a solução para o nosso problema de trânsito não vem delas, pois, por mais que a política pública se empenhe em entregar este tipo de equipamento, eles sempre estarão em defasagem com relação as vias convencionais.

Finalizando então, para mim a solução passa pelo uso compartilhado das vias públicas atuais, onde veículos auto-propulsores (bicicletas e pedestres) convivem com harmonia e respeito com os veículos motores (automóveis, motocicletas e afins). Lógico que isto depende de uma série de medidas, que incluem algumas alterações em nosso Código Nacional de Tránsito, passando pelo binômio educação-fiscalização.

Olhando este quadro, pode parecer que esta proposta é uma utopia! Porém, recentemente soubemos que grandes capitais como Paris e Nova York adotaram a bicicleta como meio de transporte viável em tempo muito recente ( 4 anos no caso de NY).

Portanto, cada vez mais é evidente a necessidade de juntarmos nossos esforços no intuito de mostrar esta realidade e esta necessidade a quem pensa e realiza o sistema viário e meios de transporte de nossa cidade, antes que seja tarde demais…

Foto no Flickr Everton137


Comentário

  • Guga, concordo com sua observação e tb acho que os motoristas parecem se dar conta de suas obrigações ao encontrar um ciclista na via. No entanto, casos isolados ainda acontecem.

    Hj mesmo, vindo pro trabalho, tive uma péssima experiencia que, no final das contas, me fez refletir sobre qual deve ser a MINHA postura, não a do motorista.

    Estava tranquila: sai mais cedo de casa para adiantar coisas no escritorio e, passva sobre a ponte da Av. Sumaré sentido a Av. Dr. Arnaldo. Não rodo na faixa da extrema direita ali devido ao excesso de onibus ali. Então hoje, estava no bordo da segunda faixa da direita, SUPER CONCENTRADA (eu não uso fones de ouvido, tenho capacete, lanternas e um colete mega refletivo que uso não importa a hora do dia) quando, quase no final da ponte, uma mulher num carro vermelho, sem diminuir a velocidade, com sua buzina alta, não teve dúvida e resolveu “me avisar que ela estava passando” (essas foram suas próprias palavras!). Pela primeira vez em mais de um ano de pedal urbano, eu me assustei com uma buzinada como nunca antes. Estava tão concentrada no transito PARADO, diga-se de passagem, à frente, pensando em como passar por entre os carros já que ali parece um funil quando os carros se emparelham, que o barulho da buzina me ‘quebrou as pernas’.

    Fiquei tão desconcertada, meu coração a mil por hora, que parei a bike ao lado dela (o transito tava PARADO, lembra?) e proferi muitos impropérios não sem antes perguntar porque buzinou e “manda-la” nunca mais buzinar para um ciclista.

    Pela primeira vez me descontrolei dessa forma. E ao chegar na empresa, quase chorando de raiva, conversei com meu marido e conclui que, apesar de ter perdido o controle a ponto de dizer o que disse à MAUtorista, preciso exercitar minha paciencia para que, da próxima vez que isso acontecer (pq sabemos que vai, infelizmente!), eu possa ser mais didática que agressiva e dizer ao MAUtorista que tenho filhos me esperando em casa…

    Acho que consegui tirar uma lição positiva disso tudo, mas foi um susto e tanto.

    Luciana
  • Concordo, apoio e faco minhas as suas palavras. O exemplo eh a melhor propaganda… Chegar no hosp pra trabalhar segurando um capacete de bike atrai muito olhares, surpresa… Aposto que pensam: se essa menina consegue, eu tb consigo!
    Todo dia alguem me para para perguntar alguma coisa… Duvidas, dicas… Da pra ver que ta mudando… Muito bom!! :-)

    Ju
  • olha acredito que estamos mudando sim!! (os motoristas) vou trabalhar terças e sextas de bike e estou surpreso pela educação dos paulistanos!! obvio que sempre tem os apressados/estressados, mas de um modo geral esta muito bom!! poucos problemas que tenho normalmente são com motoqueiros e motoristas de VUC.

    vivam as bikes!!!

    joao
  • Sou de Curitiba e pedalo já a anos na capital paranaense e posso dizer que estou sentindo na pele a mudança no trânsito, diminuiu e muito as fachadas e as finas que eu levava dos carros anteriormente. Eu particularmente não uso ciclovias para me locomover, pois acho que segregação no trânsito não é a solução, e aqui em Curitiba as ciclovias são em cima da calçada, o que eu acho uma palhaçada e um desrespeito ao pedestre, então evito utilizar as vias que contém ciclovias. Creio que todo o movimento em prol da bike está funcionando e trazendo resultados sim! outra mudança que eu sinto é que nunca se viu tantos ciclistas circulando, o que é muito bom de se ver!

    Buga http//bikenstuff.wordpress.com
  • Por enquanto não sou ciclista urbana, apenas pedestre e usuária de transporte público em São Paulo (mas se alguém me der uma bicicleta de presente isso muda rapidinho).
    Mas gostaria que comentar que também estou vendo mudanças positivas. O número de ciclistas está sempre aumentando, e a mim, mera observadora, parece que a maioria dos motoristas está mais educada e respeitosa em relação a eles. Que continue nesse caminho!

    Mari Lee raizasas.blogspot.com
  • Aqui em Brasília os principais problemas ainda são os mesmos de toda capital: cruzamentos perigosos, ônibus que tiram fino, motoqueiros em alta velocidade ou pedestres displicentes nos corredores, boca-de-lobo mal feitas… mas no geral os motoristas respeitam… diria que uns 80%. A maioria diminui a velocidade, afastando também um pouco o carro (raramente alguém observa o 1,5m exigido por lei, entretanto, na hora, eu mesmo não sei o que seria 1,5m de distância) ou geralmente mudam para a faixa central antes de me ultrapassar.

    Também percebo que aos pouquinhos estamos conquistando mais respeito no trânsito. Aliás, ao contrário de muitos colegas ciclistas, sou a favor das ciclovias, principalmente para as vias de trânsito intenso e rápido (não imagino o quanto iria facilitar minha vida…). Mas, claro, as ciclovias não devem se tornar uma regra inexorável, senão o senso comum pode retroceder e achar que lugar de bicicleta é em ciclovia/calçada, segregando, novamente, transportes não-motorizados das vias urbanas.

    Alex Soares
  • Concordo com vc atitude boa.nos temos q preservar o nosso planeta pois nossos avos nao preservaram nossos pais nao preservaram e se a gente nao preservar o planeta,nossos filhos nao conheseram este lugar belo!

    cintia
  • Olá Guga. Primeiramente, meus cumprimentos por você ser um adepto a locomoção por bike. Assim como você, também percebo essa mudança que vem ocorrendo no comportamento dos Motoristas. Aqui na Lapa, onde resido e trabalho, as placas de “ciclo rota” estão ajudando bastante na concientização dos “motorizados”. Pedalo tranquilamento junto aos Carros e são poucos os momentos de “stress” de um ou outro motorista desinformado. As vezes um motorista ultrapassa e acelera, mostrando o poder do seu carrão, porém segundos depois, parado no trânsito, ele me vê passando novamente, alegre e contente com minhas 2 rodas movidas a suor e um coração emocionado por participar do início de uma metamorfose elevará a qualidade de vida em nossa cidade. Também é nítido o aumento de ciclistas aqui na região, acredito também ser por causa da ciclo rota, que dá uma sensação maior de segurança. Relembro aqui a frase que está na escultura em homenagem a Márcia Prado: “Viver ou morrer não é o que importa, ser feliz é questão de talendo”. Abraço a todos.

    Augusto Canabrava canabike.blogspot.com
  • Bomba : Vá ao Parque das Bicicletas e seja barrado !!! Sim , isso mesmo que voce leu, vá ao parquinho das bikes em Sao paulo e tome uma bronca do vigia que fica na guarita : -aqui não pode passar de ” bicicreta ” ( na parte que tem a cancela ).Mas carro pode e pedestre também…então isso aí é puro preconceito e raiva de cão tinhoso, daqueles que ficam presos na coleira e latem para quem passa…Tente brincar de passar na cancela do guardinha, mas vá em grupo que aí ele fica mansinho.

    Ric del Moro
  • Começei esta semana a ir para o trabalho de bike, pois à algum tempo venho me decepcionando muito com o trânsito caótico da SP, e decidi tomar esta sábia decisão. Comprei um bike e estou adorando pois além de sair do trânsito estou me exercitando e cuidando da minha saúde. Apenas deixo aqui minha opiniçao pois poderia ter mais ciclo vias , principlamente na Av. Berrini que é a única via que tenho que vir próximos aos carros.

    Anderson
  • Boas notícias essas!! com as motos foi assim tambem, lembram quando os motoristas depachavam passageiros quando o sinal fechava, o cara abria a porta do carro e simplesmente saia heheheheh!
    devagar, mas estamos evoluindo!

    Smoker
  • Boas notícias essas!!
    devagar, mas estamos evoluindo!

    Smoker

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