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Blog Vou de Bike

Postado em 2 de abril por Eu Vou de Bike

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Bicicletas nas escolas de São Paulo


Foto: Mikael Colville Andersen

Apesar dos recentes acidentes, nós estamos muito felizes com o aumento do número de bicicletas nas ruas, quer seja nos finais de semana nas ciclofaixas de maneira recreacional, ou utilizadas no dia-a-dia como meio de transporte. O que importa é que a cidade de São Paulo, em especial, vai aos poucos se acostumando com a presença da bicicleta nas ruas.

Ultimamente também temos acompanhado e divulgado várias iniciativas no sentido de incluir a bicicleta em nosso cotidiano. Uma destas iniciativas é o projeto Escolas de Bicicleta, cujo slogan é “pedalar para educar“.

Esta é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, dirigida pelo também ciclista Alexandre Schneider, cujo assessor, o nosso amigo Daniel Guth, vai nos explicar melhor sobre este projeto.

 

Olha a bike, que linda! Notem que o quadro é feito de bambu! Mais sustentabilidade impossível…

 

Com a palavra, Daniel Guth:

- Qual a importância do incentivo ao uso da bicicleta para os jovens?
Do ponto de vista pedagógico, a bicicleta é uma das melhores ferramentas para trabalhar alguns conceitos e para promover determinadas transformações. A faixa etária que antecede o terceiro setênio, particularmente dos 12 aos 14 anos, é muito especial pela formação do caráter e dos valores que o aluno levará para o resto da vida. Também o desenvolvimento da atividade física e das regras assimiladas, atreladas a uma necessidade de expansão das relações comunitárias, fará com que o programa atinja seu propósito máximo: educar para a vida.

- Há algum apoio da iniciativa privada neste projeto?
Ainda não. Este é um programa público, com recursos da Educação, da Prefeitura, e que necessita de diretrizes e acompanhamentos muito claros no instante da implantação. Para o médio e longo prazo será possível ter apoio da iniciativa privada, sem perder estas diretrizes e o caráter público do programa.

- Qual a participação do dinamarquês Mikael Colville-Andersen no projeto?
Ele foi chamado para assinar a coordenação pedagógica do programa, trazendo a experiência de outras cidades e particularmente a de Copenhague. Vale ressaltar que desde 1947 a Dinamarca possui programas de apoio e incentivo a bicicletas em idade escolar, contemplando integração familiar e a expectativa destes jovens. A experiência dinamarquesa de entregar diplomas aos alunos que passaram pelos “testes” também é fantástica. Isto fortalece, com o tempo, os laços familiares e reafirma novos paradigmas da sociedade, fazendo com que o pai se orgulhe do filho – pois ele também guardou seu diploma de quando frequentou uma Escola de Bicicleta.

Enfim, acredito que Copenhague não é São Paulo, mas São Paulo pode ser cada vez mais Copenhague. Por isto esta chancela e a coordenação pedagógica do grupo Copenhagenize é fundamental.

- O que dizer para as pessoas que criticam a iniciativa e dizem que ela coloca os estudantes em perigo?
Esta é uma reação por vezes natural quando nos deparamos com mudanças, com quebras de paradigmas. Mas isto vale para qualquer situação de nossas vidas. O preconceito é também o medo do desconhecido, e muitas vezes ele se manifesta travestido de reações apaixonadas, emotivas.

É importante ressaltar que o apoio à bicicleta na Rede Municipal de Educação se deu a partir de uma constatação muito clara: já há utilização de bicicleta em nossas escolas. Seja por parte dos alunos, dos professores, dos funcionários ou dos pais. Na última pesquisa Origem/Destino, feita pelo metrô em 2007, dos deslocamentos feitos de bicicleta, 15% tinham como destino a “Escola”. Ou seja, qual é a função do agente público ao se deparar com estes fatos? No meu entendimento é o de compreender e estruturar o apoio necessário. Nós começamos a fazer isto com a instalação de paraciclos nas escolas e nos CEUs e o programa escolas de bicicleta surgiu na esteira deste apoio.

A segurança do aluno-ciclista do programa tem correspondência em ações imediatas, como o acompanhamento diário de monitores treinados; as aulas que somam mais de 32h para ensiná-los sinalização de trânsito, como pedalar em comboio, como sinalizar com as mãos, equilíbrio e postura; acessórios como capacetes, luzinhas, buzinas, colete, espelho retrovisor, bandeirinha e cadeado; a rede de articulação e comunicação nos bairros para divulgar a presença de crianças em comboio passando na porta da casa das pessoas; a escolha de rotas tranqüilas e amigáveis aos ciclistas, com ruas de 30km/h de velocidade máxima; e a possibilidade de sinalização da CET, a médio prazo.

Nenhuma ação direta de segurança é mais eficaz do que as comunidades do entorno dos CEUs impactadas com a presença dos comboios de bicicleta passando todos os dias na porta das casas. O efeito educativo, e, portanto, do respeito ao ciclista, será imediato. Afinal, quem poderia ser contra crianças pedalando?

- Há alguma proposta para associar o projeto ‘Escolas de Bicicleta’ com as estações de aluguel de bicicletas que devem ser instaladas em breve em São Paulo?
Neste momento não. Mesmo porque os 46 CEUs estão localizados nos bairros e muitos nas franjas da cidade, locais ainda não contemplados pelo planejamento destas estações de aluguel de bicicletas.

- Quantos alunos o projeto busca atingir a longo prazo?t
Nesta fase do programa contaremos com 4.600 alunos. A proposta é amplia-lo gradativamente, ano a ano. Nosso sonho é atingir todas as EMEFs do município, não apenas os CEUs. Mas vamos implantar, avaliar, consolidar e planejar como crescer.

Muito obrigado pela entrevista, Daniel Guth, e nós aqui do EVDB torcemos para que este seja um marco para o início de um tempo novo na história da bicicleta em nossa cidade, e, quem sabe, em nosso país!


Comentário

  • Olá!!!
    A primeira foto foi tirada em qual escola de São Paulo?
    obrigada

    Carol

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