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Blog Vou de Bike

Postado em 16 de maio por gugamachado

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Pedalar na rua é perigoso?

Calma!!! Lógico que tanto o título quanto a imagem acima são só uma provocação!!!

Mas a mensagem que recebemos no Facebook esta semana de nossa leitora Melina Vasconcelos nos fez refletir bastante sobre o tema…

Antes, a mensagem:

” Olá, sou da cidade de São Jose do Rio Preto. Hoje passei por uma situação desagradável, enquanto voltava pedalando pra casa. Passando por uma avenida, entre fechadas de carros e ônibus um acontecimento foi mais que inesperado. Uma passageira em um carro jogou para fora uma bituca de cigarro, e por pouco não pegou em mim. Porém as cinzas se desfizeram no ar e acabaram por entrar nos meus olhos e aquilo ardeu muito! Fiquei quase sem ver nada e no meio da avenida entre os carros!

O carro parou em um semáforo e fui até ele, pedi (com educação) para que não fizessem mais aquilo, explicando que aquilo me prejudicou por um momento. A mulher logo se arrependeu e percebeu que aquela “inocente” bituca de cigarro poderia ferir alguem. Por fim ainda me pediram uma informação a qual auxiliei da maneira que pude, mas me coloquei a pensar que além da desconsideração que muitos motoristas demonstram para com o ciclista jogando o carro para cima da gente, ainda há aqueles que jogam todo tipo de lixo prejudicando o meio ambiente e dependendo, como ocorreu neste caso, quase ferindo o ciclista.

Com os olhos ardendo e sem ter como parar na hora, só imaginei que o ônibus atrás de mim iria me acertar. Por favor, gostaria que tivessem artigos sobre essa questão no site, tanto para alertar ciclistas novos ou experientes e também tentar fazer com que aqueles que lerem e tiverem esse hábito de jogar coisas pela rua entenda o perigo que é…”

E aí? O que responderemos pra Melina?

Nós aqui do EVDB somos 100 % ao compartilhamento das vias, pois isto, além de estar na lei, é uma atitude mais humana e cívica. Lógico que tudo tem limites e não devemos ficar em extremos. Pedalar em grandes avenidas e vias de circulação rápida deve ser só para os mais experientes, e sempre que possível, devemos traçar nossas rotas por vias secundárias.

Por fim, fazer como a Melina fez, procurando corrigir, sempre com equilíbrio, o erro/errado, ensinando através do exemplo,  pode e sempre é o melhor caminho!


Postado em 31 de julho por gugamachado

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Ciclista filma o momento de seu próprio acidente !!!!

 

Aqui no EVDB não gostamos muito de dar ênfase a este tipo de assunto. Porém, com o crescente número de ciclistas nas ruas, cresce também o número de acidentes. E para mostrar que esta não é uma exclusividade nossa, resolvemos postar este vídeo de acidente ocorrido na periferia de Londres.

Aliás, recentemente estivemos por lá e pedalamos o suficiente para entender como funciona a dinâmica das bicicletas com relação a compartilhamento das vias, e podemos dizer que este ocorrido é uma excessão, pois no geral os motoristas londrinos são extremamente educados, cuidadosos e acostumados com a presença dos ciclistas dividindo o espaço de vias públicas.

Veja o vídeo abaixo:

 

 

“Na segunda vez que eu fui dar uma volta em Londres para ver se eu entrava em forma, em vez de pegar o trem, a viagem terminou assim”, diz o usuário do YouTube cyclejack. Ele continua: ” Eu estava viajando a cerca de 35 quilômetros por hora em Romford. O tempo estava chuvoso, e eu estava tomando cuidado nas curvas e rotatórias. Estava com as mãos próximas dos freios (dá para ver no frame antes do impacto) mas eu não tive chance de parar. Não sei como não fui visto. Eu tenho mais de 1,80m de altura e estava vestindo uma jaqueta azul brilhante. Se eu fui visto, ela deve ter calculado errado a minha velocidade. No momento, a motorista pediu desculpas, e, ao ser informada pela polícia que eu estava filmando meu trajeto, ela pareceu assumir a culpa. Mas, quando eu entrei com uma queixa ao seguro, ela contestou. Posso dizer que o vídeo me evitou um monte de problemas e, depois de três semanas, o cheque da seguradora já estava em minhas mãos.”

Graças a Deus ele só teve ferimentos leves…

Por aqui damos várias dicas de segurança, inclusive em nossos podcasts. Já ouviu alguma?

No mais, é se cuidar sendo o mais prudente e visível possível!

 


Postado em 11 de março por gugamachado

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“Sobre nossas ruas desiguais: viva David!” por @Daniel Guth

o que sobrou da bicicleta de David, por @danielguth

o que sobrou da bicicleta de David, por @danielguth

Já era madrugada e a mente seguia numa espiral de angustiantes lembranças. Que dia o de ontem!

A imagem do olhar assustado da “Srª Antônia”, a mãe do jovem David, me faz refletir imediatamente acerca das injustiças deste país.

Muito pelo ineditismo de um roteiro digno de uma obra do maldito Zé do Caixão, talvez vejamos um desfecho histórico deste triste episódio.
Será que a justiça – não aquela deturpada pelos meandros das estratégias de um bom advogado de defesa – chegará à secular literatura dos casos de impunidade ungidos pela industria automobilística?

Acompanharemos.

Carteira de Identidade de David, por @danielguth

Carteira de Identidade de David, por @danielguth

Nesta madrugada me flagrei pensando nas manifestações que nos remetem ao primitivo sentimento de injustiça. A fome, por exemplo, faz-nos solidarizar pela violência com que escancara as desigualdades. As condições de saneamento, as favelas, os mendigos, as crackolândias, os orfanatos, as guerras, as doenças sem cura, os hospitais e escolas públicas, enfim, tudo o que nos remete, sem titubear, à dura sociedade esculpida na desigualdade e na EXCLUSÃO.

E pergunto: por que não o trânsito ou a vida que pulsa nas ruas? Será que existe manifestação mais contundente de desigualdade do que as ruas das nossas cidades?

Reflitamos:

1/3 dos paulistanos se deslocam diariamente de carro. 2/3 de outros modos de transporte. A quem se destina a maior fatia do espaço nas ruas? A quem se destaca todo o efetivo da Companhia de Engenharia de Tráfego para a eterna batalha pela manutenção da fluidez?

Será que não estamos excluindo 2/3 da população, através do seu modo de transporte, para incluir 1/3? Esta conta nunca fechou.

Quando você, leitor, caminha por SP, você se sente INCLUÍDO? E quando você, leitor, pedala por SP e não tem um local sequer para estacionar sua bicicleta, você se sente INCLUÍDO?

História rápida

Quando os primeiros automóveis foram introduzidos nas cidades, sua inclusão se deu às custas de muito sangue e protestos. O carro era, naquele momento, um intruso, um elemento exótico não apenas à paisagem mas à real função (milenar) das ruas como espaço público para os encontros, para o comércio, para as trocas e, principalmente, para as crianças brincarem. Tudo se fazia nas ruas e, para a tristeza de mães e pais, as crianças foram as primeiras vítimas desta sanguinária indústria.

Um passeio pela Wall Street antiga, onde os pedestres eram a maioria

Era natural que houvesse uma repulsa aos carros. No entanto, com estratégias de comunicação sedutoras, muito dinheiro e apoio político, as cidades foram se moldando para INCLUIR este intruso. Os protestos cessaram, as crianças foram trancafiadas em playgrounds e o automóvel passou a ocupar, de forma cada vez mais desigual, este espaço que era de TODOS.

Blá, blá, blá e 1 século se passou.

Concluindo

Hoje vemos cidades por todo o planeta numa constante batalha para reverter este equívoco secular. Algumas se anteciparam, como Amsterdam, Copenhague, Paris, Bogotá. Outras estão num rápido processo de re-humanização, como NY, Santiago, Londres, Melbourne.

Por que não SP?

O que nos freia, nos segura, nos mantém numa postura conservadora e individualista de manutenção do “status quo viário”?

A violência do atropelamento de ontem, seguida pelos acontecimentos surrealistas que todos acompanhamos, tem que servir para nossa profunda reflexão e, quiçá, mudança de atitudes e comportamentos. Senão estaremos emburrecendo e repetindo os mesmos erros. Over and over.

Já fomos alertados pelo mantra sartreano de que “o inferno são os outros”. Afinal, conte-nos, o que você aprendeu com o episódio de ontem?

@danielguth