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Blog Vou de Bike

Postado em 12 de novembro por gugamachado

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Conheça o projeto “Transite”

 

Estes dias conversamos com o Felipe Baenninger, que é fotógrafo, tem 25 anos e mora em sua bicicleta desde dezembro de 2012. Deste papo, surgiu a interessantíssima entrevista que você acompanha abaixo!

1-) Como surgiu a idéia do “Transite”?
A idéia de documentar ciclistas pelo mundo foi inspiração direta de um projeto da Africa chamado Bicycle Portraits feito pelos fotógrafos Stan Engelbrecht and Nic Grobler, um estudo de 3 anos sobre a cultura da bicicleta da Africa do Sul financiado todo via crowdfounding (financiamento colaborativo ou coletivo).
Eu já tinha planos e vinha juntando forças para uma grande viagem de bicicleta pelo país, quando conheci Nic em uma visita que fez alguns anos ao Brasil, e pude perguntar tudo que queria sobre como foi realizar o documentário.
Dai misturei minha jornada de bicicleta com um documentário sobre os outros ciclistas, dai nasceu o Transite.
Também escolhi viabiliza-lo através do sistema crowd, ou seja o fotolivro fica a venda durante toda a realização do documentário e é isso que mantém o projeto vivo financeiramente.
2-) Qual o principal objetivo do projeto?
Realizar uma jornada de 2 anos por cerca de 18000 kms e ao final produzir um fotolivro sobre os ciclistas do Brasil.
Com isso pretendo fortalecer e divulgar a cultura da bicicleta e a importância que ela exerce na locomoção do brasileiro.
3-) Você já está na estrada a alguns meses. Como tem sido a experiência?
Sensacional, me sinto um cigano, hahahaha!!!!
Já rodei cerca de 2600km, visitei 5 estados, 35 articuladores de hospitalidade me ofereceram um sofá ou facilitaram um pouso para mim na estrada.
Tem sido uma experiência gratificante ajudar e ser ajudado nos lugares onde passo.
Acredito muito que a bicicleta seja um grande cartão de visitas para viajantes, te aproxima muito da população dos lugares e facilita em puxar papo por ai. Nunca estamos sozinhos.
4-) Tem notado muita diferença entre a infra-estrutura cicloviária das cidades por onde tem passado?
Muito diferença não é bem o termo, eu tenho notado a ausência dela ou uma tremenda falta de planejamento por parte das prefeituras e governo. Da para dizer que lugares onde os ciclistas são encontrados em massa a tendencia é se ter mais estrutura.Em tais lugares temos bicicletários, para-ciclos, vias exclusivas de bicicleta, etc. Mas as implementações ainda são feita de forma oportunista e não pensada.
Tem lugares com kms de ciclovias e não se incentiva o uso da bicicleta, faltam ciclistas. Tem lugares onde a ciclovia mede 46 cm(!)
Para mim a estrutura vem junto com uma campanha de conscientização da mobilidade, lá na escola.
Temos que aprender sobre a importância de se ir e vir em paz pelas cidades.
5-) E com relação ao comportamento dos motoristas ante aos ciclistas?
Eu já fui motorista e consigo entender o quanto egoista e estressado você pode ficar.
Não sirvo para ficar parado em um automotor, mas entendo um pouco o universo deles.
Dentro da mobilidade algo que não é muito dito é que todos estão com pressa e estamos querendo fazer isso da melhor maneira que encontramos. Na grande parte do tempo os motoristas da cidade são respeitosos e fazem o que pode para conviver com ciclistas numa boa.
O lugar onde me senti mais ameaçado pela estrutura da cidade e pelos motoristas foi em Florianópolis, os bairro são distantes e as vias que conectam um ao outro tem limite de 80km/h, as ciclovias são super mal sinalizadas e rotas para fugir dos tuneis não possuem indicação. Mas sobre a relação com os motoristas é uma questão de contexto, quando a cidade facilita o cara não é agressivo, quanto mais rapida a via menos o motorista ve as coisas no caminho, ou seja você é só mais um obstaculo da rua até o ponto de chegada dele.
6-) Após o término da viagem, quais são os seus projetos?
Uma coisa de cada vez, apesar de ser um bom planejador e me cobrar muito, nesta viagem o aprendizado que quero levar cada vez mais é viver o agora.
7-) Finalizando, como as pessoas podem ajudar o “Transite”?
O produto final do projeto é um fotolivro impresso a cores, que vai ficar lindo, hahahahah !!!
Nele estarão as historias dos ciclistas que encontrei na jornada e outros materiais especiais.
Além disso vendemos camisetas estampas por fotos minhas e de outros artistas.
Se alguém se interessar, quiser ver as estampas e saber mais sobre o fotolivro
pode nos mandar um email vitaminacoletiva@gmail.com
Felipe, muito obrigado pela entrevista e pelo seu tempo, e muito boa sorte nesta empreitada!!!!

Postado em 10 de outubro por gugamachado

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Viajando de Bike pela América do Sul

Quem nos acompanha sabe que aqui no EVDB nós adoramos cicloturismo por vários motivos! Sóa quem já fez sabe o quanto é prazerosa esta modalidade de ciclismo, além de, muitas vezes, representar uma auto-superação tão grande que nos deixa lições práticas para aplicarmos sempre em nossas vidas.

Para motivar mais ainda nossos leitores a se animarem e se atreverem a ao menos pensar na possibilidade de realizar uma viagem de bike, segue  uma entrevista inspiradora com o André Costa e a Ana Vivian, que estão viajando pela América do Sul já há um ano e três meses!!!

André e Ana por eles mesmos: Nos conhecemos quando éramos estudantes em Florianópolis, e desde o começo do namoro realizávamos passeios de bicicleta pela cidade. Não satisfeitos em pedalar apenas nos finais de semana começamos a usar a bicicleta para ir a todo lugar durante nosso dia-a-dia e descobrimos o grupo da bicicletada na cidade, onde fizemos diversos amigos e aprendemos muito. Anos mais tarde terminamos a faculdade e nos casamos, e fomos ao nosso próprio casamento de bicicleta, pedalamos pouco mais de 30km até a Igreja com alguns convidados e padrinhos, todos trajados já para a cerimônia. Aí foi que a família toda percebeu como gostamos muito de pedalar, e começaram a se acostumar com a ideia de que iríamos fazer uma longa viagem de bicicleta, que há tanto tempo sonhávamos em realizar.

Porquê se interessaram pelo cicloturismo?

O André foi quem se interessou primeiro, mas não foi propriamente por cicloturismo, ele tinha uma idéia que eu achava maluca na época, de ir andando até a cidade natal dele, distante uns 800km de onde vivíamos. Aí na época das férias de verão, ele e um amigo fizeram uma pequena viagem de 10 dias pela Serra Catarinense, e eu não fui convidada, fiquei me remoendo de inveja, eu estava mais empolgada que eles, mas minha bicicleta não era adaptada e eu ainda não tinha capacidade física pra acompanhar os dois gurís serra acima. Então no período que eles estavam viajando eu fiquei navegando na internet buscando informações sobre viagem de bicicleta, sempre ansiosa pelo telefonema do final do dia, pra saber onde eles estariam acampando. Na internet descobri que existia até um termo pra isso, o “cicloturismo”. No verão seguinte eu me convidei pra fazer parte do grupo, e fizemos uma viagem juntos, também pela serra catarinense, por outras estradas. Então nosso interesse não foi especificamente por fazer turismo em bicicleta, mas sim por viajar. Atualmente viajamos de bicicleta, e adoramos a perfeita harmonia entre turismo e exercício físico, mas quem sabe um dia ainda viajaremos a pé, o sonho primordial não foi abandonado…

3-) Quais foram as suas principais experiências no cicloturismo? 

As primeiras experiências nunca excederam 10 dias de viagem. Como éramos estudantes na época, sem dinheiro, só acampávamos em todo o trajeto e gastávamos muito pouco com comida. André fez a primeira viagem com um amigo, e no outro ano eu embarquei junto no grupo para uma viagem muito similar. Depois das duas viagens pela Serra Catarinense, fizemos o circuito do Vale Europeu. Fizemos uns trechos do Circuito Costa Verde e Mar durante alguns verões, e em 2011 viajamos 15 dias com um grupo de amigos para participar do Fórum Mundial da Bicicleta em Porto Alegre, fomos e voltamos de bike por estradas secundárias e sempre acampando. Mas desde antes de nos formarmos sonhávamos com o que estamos realizando hoje, uma longa viagem pela América do Sul, sem data pra voltar.

4-) Como tem sido pedalar pela América Latina? 

A experiência tem sido maravilhosa. Deixamos nossa casa vazia e partimos sem saber se ficaríamos um mês viajando, um ano, dois anos… Não criamos expectativas nem nos pusemos compromissos. Nossa meta sempre foi desfrutar do caminho, nunca tivemos um destino final a ser alcançado nem uma meta de quilômetros diária. Somente o objetivo de chegar em casa outra vez, sãos e salvos, daqui a algum tempo. Pelo fato de não sabermos o que esperar de cada dia, qualquer coisa que aconteça é vista como uma boa surpresa. Mesmo nos dias muito difíceis, sempre aprendemos alguma coisa, principalmente sobre ter paciência e compreensão. Nunca imaginamos que as diferenças culturais entre os países vizinhos ao nosso seriam tão grandes. Nunca pensamos que as montanhas dos Andes seriam tão colossais. Nem que os famosos ventos patagônicos fossem tão concretos. Antes da viagem havíamos lido vários livros de outros cicloviajantes, relatos em outros blogs, sempre pra alimentar nosso sonho de um dia partir de viagem. Mas não tem como, quando é a gente mesmo que está ali a coisa é bem diferente e nem sempre a gente tem a reação que espera diante dos desafios. Conhecemos pessoas muito bacanas, depois de um ano viajando fizemos amigos do mundo inteiro, deixamos famílias emprestadas em todos os países que passamos, sempre com o convite de voltarmos pra uma outra visita algum dia. Mas além das experiências boas também tivemos situações difíceis,como quando nos perdemos num passo de fronteira que não tinha estrada entre o sul do Chile e Argentina e nossa comida terminou, ou quando fomos atacados por cães violentos no Perú inúmeras vezes, dormimos em noites congelantes a -17ºC na Bolívia com aquelas estradas péssimas, passamos noites apreensivos de medo dentro da barraca em certas regiões mais perigosas… Mas o dia termina  e recomeça e sempre tem algo de bom esperando de novo pra acontecer, e isso tem motivado a gente a seguir um dia mais, e mais um outro mês, mais alguns quilômetros, e até agora já se passaram um ano e 3 meses de viagem, mais de 13.500km percorridos pedalando.

5-) Existem muitas diferenças entre as infra-estruturas das principais capitais por onde vocês têm passado?

No primeiro trecho de viagem evitamos ao máximo entrar em cidades médias a grandes. Fizemos voltas grandes só pra evitar cidades como Mendoza e San Juan na Argentina, por exemplo. Então não temos muito como comparar, porque só começamos a entrar em cidades maiores quando estávamos pedalando com um casal de amigos agora entre o norte da Bolívia e Perú. As únicas capitais que conhecemos foram La Paz, na Bolívia, e Lima, no Perú. Mas o que dá pra notar de maneira geral, é que na América do Sul não existe estrutura para viajar de bicicleta, apesar da grande quantidade de viajantes circulando com suas magrelas por estas terras. Quem vem pedalar de outros continentes para cá, vêm pelo fator aventura da coisa. A única estrutura que se pode dizer que existe são as Casas de Ciclistas, lugares onde alguma família disponibiliza um espaço para os ciclistas descansarem em cidades maiores. Estas Casas são geralmente um grande esforço e paixão por parte do proprietário, e são um verdadeiro oásis para o viajante, mas são todas iniciativas de pessoas isoladas e estruturas ainda tímidas. As Casas de Ciclistas que tivemos o prazer de conhecer foram em Villa Manihuales, na Patagônia Chilena, em La Paz, na Bolívia e em Trujillo, no Perú. E ficamos sabendo recentemente que o Brasil teve inaugurada sua primeira casa de ciclistas em Foz do Iguaçú no Paraná, estamos planejando passar por lá na nossa volta. De maneira geral entrar em cidades grandes como as capitais é um grande risco, a área periférica geralmente é perigosa por ter pouca presença policial e poucas pessoas circulando a pé, e o trânsito um risco ainda maior, por isso evitamos passar por estes lugares. Em Lima, por exemplo, até existe uma linda ciclovia numa grande avenida arborizada e agradável, mas até chegar lá você já passou por muita coisa nada amistosa. Por outro lado, em pequenas cidades é fácil de chegar, sempre tem uma escolinha com gramado pra acampar, ou uma igreja com salão pra dormir, ou alguém que te oferece água e acaba te deixando acampar no quintal, e na minha opinião esta é a estrutura mais maravilhosa que existe pra alguém que viaja em bicicleta, a possibilidade de receber hospitalidade e solidariedade das pessoas pelo caminho, porque você está mais próximo delas, mais aberto e vulnerável de certo modo.

 

6-) Alguma dica para os iniciantes? 

Tem tantas dicas, coisas que a gente foi aprendendo aos poucos, coisas que outros cicloviajantes nos ensinaram também. Mas seria bastante longo descrever tudo agora. Diríamos que a principal seria de não deixar as questões “técnicas” te impedirem de realizar uma viagem que sonhas. Não importa se a bicicleta é ruim ou boa, não importam se tem os melhores equipamentos do mundo ou só tem gambiarra, o que importa é ter a vontade de realizar. A gente viu muitos ciclistas viajando só com coisas Top de linha, e vimos muitos mais, uma infinidade mais, viajando no improviso. O que percebemos é que no começo, por insegurança saímos carregados demais, porque tínhamos medo de precisar de algo e não ter à mão. A consequência foi que nos primeiros 10 dias de viagem despachamos 4kg de coisas inúteis devolta pra casa dos pais, e ao longo da viagem fomos doando outras tantas. Mas a verdade é que o melhor é sair com poucas coisas e na medida do que sente necessidade, adquire quando, e se realmente precisar. Com o tempo vamos conseguindo viver com cada vez menos coisas, e isso deixa as subidas menos cansativas, deixa o caminho mais leve, sobra um pouco mais de energia pra desfrutar a estrada.

7-) Quais são seus projetos para o futuro?

Nosso futuro mais imediato agora é conhecer nosso próprio país um pouco mais, aproveitar um pouco de verão, já que estamos praticamente há um ano vivendo em clima de inverno. E depois que esta viagem terminar iremos tentar algumas experiências num pedacinho de terra no interior de Santa Catarina, ainda não sabemos muito bem o quê, mas algo como tentar construir a nossa casa por lá, já que o apartamento que morávamos em Florianópolis não abriga mais nossos sonhos. Ainda teremos muito trabalho pela frente quando retornamos pra casa, são muitas fotos e vídeos, relatos que queremos seguir compartilhando com as pessoas sobre esta viagem, ainda não sabemos qual formato irá ter, mas sabemos que é preciso contagiar as pessoas a realizarem seus sonhos de viagem.

Estamos prestes a entrar no Brasil novamente, a emoção é grande, tão grande que é até maior do que quando cruzamos nossa primeira fronteira, deixando o nosso país pela primeira vez. Então queremos convidar todos a nos acompanhar pelo Blog e pela nossa página no Facebook, e se sua cidade estiver perto de nosso caminho, a encontrar com a gente prum papo ou até pedalar conosco em algum trecho, e se tiver um quintal pra gente passar a noite então, maravilha!

Vamos? Acompanhe o convite deles no Blog e no Facebook!

E se você tem alguma experiência em cicloturismo, aproveite e responda este questionário  e ajude nosso leitor Renan em seu trabalho acadêmico que busca traçar o perfil do cicloturista brasileiro!

 


Postado em 22 de agosto por gugamachado

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Você conhece o “Dois na Bike” ?

O Projeto DOIS NA BIKE é a realização de um sonho do casal Mariana e Romulo. “Decidimos cair na estrada para conhecer novos lugares, pessoas e culturas usando a bicicleta como meio de transporte. A idéia é viajar lentamente, conhecendo cada local de forma integral. Pedalando poucos quilômetros dia a dia, pretendemos ficar na estrada por dois anos aproximadamente”, explica Mariana.

Ela continua: “O ano de 2013 está sendo dedicado ao Brasil, pois saímos de Itapema/SC (onde moramos) e seguimos rumo ao Nordeste, ora pelo litoral, ora buscando  rotas no interior do país.  Já em 2014, pretendemos pedalar na Europa, iniciando o trajeto em Portugal e seguindo em direção ao Oriente.”

“Nossa experiência está sendo compartilhada através deste site e das redes sociais com o objetivo de interagir com outros viajantes e pessoas interessadas em cicloturismo. O diário de bordo também está sendo compartilhado, assim como fotos e vídeos realizados ao longo do caminho”, conta Romulo.

Além de tudo isto, o mais legal é que eles estão utilizando uma bicicleta do tipo tandem, da Houston, a KB2!

Sobre a escolha desta bike, leia mais aqui.

“A ideia é buscar através das redes sociais apoios para acampamentos e “chuveiros”. Logo, aquele que nos acompanhar poderá indicar  um amigo para nos receber  e assim nos ajudar a chegar mais longe.”

Vamos ajudá-los?

 


Postado em 4 de abril por gugamachado

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Cicloturismo 3 – Preparando a Bicicleta

Bom, nesta altura já temos nossa decisão tomada quanto a viagem, nosso roteiro escolhido, e agora falta prepararmos nossa bike, além de nos prepararmos também.

Começando pela preparação da bike, encontramos o primeiro grande paradoxo. Por mais modernas e sofisticadas que as bicicletas estejam hoje em dia, nossa preferência será por bicicletas as mais simples possíveis, e acima de tudo, bem confortáveis.

Porquê mais simples? Imagine o cenário: você com sua super bike “full suspension”, com freio a disco hidráulico, fazendo uma viagem pelo interiorzão do Brasil, e de repente, seu freio quebra, ou pior, seu quadro trinca. Já pensou o perrengue?

Partindo desta imagem mental, nossas bikes precisam ter componentes robustos, mais simples e de fácil substituição, ou até adaptação. Se você observar, a maioria das bicicletas de cicloturismo comercializadas possuem freios no tipo “cant-lever” ou “v-brake”, robustos e de fácil manutenção.

E os quadros costumam ser de aço, de cromo, ou de alguma liga fácil de ser reparada com uma simples solda. Ou seja, a idéia é que ganhemos o máximo de auto-suficiência mecânica possível, a ponto de um reparo poder ser feito por nós mesmos, ou até por um mecânico não especializado em bicicletas.

Falando em quadros, pedalar algumas horas numa bicicleta desadaptada ao nosso biotipo é uma coisa. Porém, viajar com ela é outra completamente diferente. Portanto, o ideal é que sua bike esteja revisada e ajustada para você. Veja mais dicas de como ajustar sua bicicleta aqui e aqui.

Além do quadro e ergonomia, alguns itens que devemos observar na bicicleta são:

- Com relação a transmissão, procure um grupo resistente, porém não muito sofisticado. Um exemplo seria a linha Altus ou Acera, da Shimano, que são grupos de gama inicial, porém bem resistentes. O número de marchas também não é fundamental e depende muito da altimetria do trajeto escolhido. Normalmente um grupo com 21 marchas bem escalonadas com uma boa relação leve (para subidas) e pesada (para decidas e grandes retas) funciona muito bem. Procure conversar bem com o seu lojista e evite os exageros.

- Falando do selim, procure um que seja o mais confortável possível. Porém, isto não quer dizer que tenhamos que utilizar aqueles selins iguais ao “sofá de casa”, pois um selim grande prejudica o movimento das nádegas na pedalada e incomoda muito a região interna da coxa, raspando o tempo todo. Ah, e o principal: nunca saia para uma viagem longa sem antes utilizar o selim em viagens mais curtas, seguindo as dicas que adaptação que já demos por aqui

- Utilize cubos e movimento central selados, pois estes  praticamente não requerem manutenção. Se suas viagens incluem lama, areia e água – e quase todas incluem – estes equipamentos são fundamentais para que você não fique na estrada…

- Quanto aos freios, eles tem que ser o mais simples possível, do tipo v-brake ou cant-lever, porém o mais eficaz possível, pois quanto menos força para acionar o manete você tiver na mão, mais importante será este investimento. Frear uma bicicleta carregada é bem diferente que frear ela vazia. E este equipamento costuma ser bem exigido, daí também a necessidade de fácil manutenção, no caso de algum defeito.

- Não é item necessário, porém se suas rodas e seu canote de selim forem equipados com sistema de blocagem rápida, sua vida será muito mais fácil. Este sistema não costuma custar caro, e facilita muito as operações de montagem e desmontagem da bicicleta para transportá-la em carros ou ônibus, algo muito comum no cicloturismo. Este sistema também facilita muito na hora de remendar os quase inevitáveis furos de pneus.

- Falando nisto, uma mala ou case para transporte da bicicleta é fundamental se você for realizar trechos da viagem de ônibus ou avião. Ela protege a bicicleta e diminui os problemas para embarque em ônibus e metro. É importante que seja leve, pois durante a viagem de bicicleta ela será praticamente um peso morto.

- Para o controle de sua viagem, um ciclocomputador é fundamental para medir distância total e parcial, além da velocidade, pois muitas vezes estes podem ser nossos indicadores de que estamos no caminho certo. Hoje em dia eles podem ser muito bem substituidos por GPS ou Smartphones, porém, estes últimos costumam exigir muita bateria, coisa complicada em um cicloturismo. Aqui é mais um caso onde a simplicidade deve falar mais alto que a modernidade.

- Vamos falar agora de uma questão fundamental quando fazemos um cicloturismo, que é o transporte de nossa carga, através de mochilas, alforges e bagageiros. As mochilas devem ser nossa última opção, pois elas permitem o transporte de uma quantidade muito limitada de bagagem, além de forçarem demais nossas costas. Se o espaço permitir, tenha a mão uma mochila de “ataque”, somente para levar bagagem para uma caminhada ou uma visita a algum sítio onde o deslocamento seja feito a pé.

- Os bagageiros da bike devem ser bem reforçados, evitando-se os de alumínio, e devendo ser instalados no quadro, porém mantendo a roda livre para facilitar a manutenção. A maioria dos quadros atuais prevêm a instalação de bagageiros, e possuem a furação para tal, na traseira da bicicleta. Porém, se for levar muita bagagem, pode-se optar pela instalação também de um bagageiro dianteiro, não muito comum, mas de muita utilidade, pois este contribui até na estabilidade da bike, sempre respeitando a proporção de mais peso na traseira, e menos peso na dianteira, algo como 2/3 para 1/3.

- Já os alforjes que vão ocupar estes bagageiros são um capítulo a parte. Eles possuem diversos tipos e modelos, e o ideal é que tenhamos referências com outros ciclistas, através de fóruns e “bate-papos”, pois neste caso a experiência prévia conta muito. Uma coisa fundamental é que o material seja bem resistente e o menos permeável possível. Algo do tipo “nylon cordura”, por exemplo. O ideal é que eles facilitem o acesso o máximo possível, com a abertura do tipo “boca”, em velcro reforçado para facilitar o manuseio.Os zíperes também são bem vindos. Procure adquirir um alforje não muito grande e desengonçado, nem muito pequeno, e de preferência com muitos bolsos. A fixação deste no bagageiro também deve ser muito facilitada, pois costumamos remover e colocar muito os alforjes em viagens, até por uma questão de segurança. Procure também protege-los com capas anti-chuva. A maioria dos alforjes costuma ter este acessório disponível.

Se for pegar algum trecho noturno, o ideal é ter um bom sistema de iluminação instalado na bicicleta, que consiste em uma ou duas lanternas (fortes) com luz branca na dianteira (se possível tenha ao menos uma removível, que pode ser utilizada como lanterna) e sinalizadores em vermelho na traseira. Opte também por ter o mesmo sistema no capacete.

No mais, se preocupe com os itens de segurança obrigatórios, tais como reflexivos nos pedais e nas rodas, espelho retrovisor e buzina (do tipo campainha). O apoio de pé (pezinho) não é item obrigatório, porém auxilia bastante nas paradas frequentes e costumeiras durante as viagens. Certifique-se de que ele é robusto o suficiente para aguentar o peso não só da sua bike, como também de sua bagagem. Atualmente é possível encontrar também modelos do tipo “cavalete”, melhores e mais estáveis que os tradicionais pezinhos.

 

No próximo post falaremos de como se preparar e do quê levar na viagem!
Boas pedaladas

Postado em 5 de março por gugamachado

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Cicloturismo 3: Planejando Tudo!

Continuando nossa série sobre cicloturismo, decidimos dividir o assunto “planejamento” da seguinte maneira:

- onde viajar;

- como viajar (incluindo preparação da bicicleta);

- o quê levar na viagem.

Como qualquer viagem convencional, um planejamento bem feito é fator determinante no sucesso de nossa empreitada.

No caso da bicicleta, é primordial que o roteiro escolhido seja compatível com a sua forma física. E aqui não entra só o condicionamento físico não!

De nada adianta ser capaz de correr uma maratona inteira se você não está adaptado a ficar mais de três horas pedalando, sentado no selim. Conheço muitas situações onde sobrou fôlego, mas faltaram pernas e bumbum, sé é que vocês me entendem…

Então o ideal é escolher um roteiro inicial com no máximo 200 kms, para ser feito em dois dias (sem contar a volta, ou seja, pedalar uma média de 100 kms por dia) e sem uma altimetria muito severa, ou seja, sem grandes subidas. E mesmo assim, devemos nos preparar para passar um bom tempo “em cima” da bike. Uma maneira de se fazer isto é aumentar o tempo de nossos passeios recreativos, gradativamente.

Se você hoje está adaptado a pedalar uma hora direto, aumente seu próximo passeio em 20% de tempo,  e assim gradativamente, até poder pedalar de duas a duas horas e meia sem intervalos.

Voltando a seleção do trajeto, o ideal é verificar as condições da estrada, se esta possui uma via alternativa/viscinal, dando preferência sempre aos caminhos mais “calmos”, isto é, com menos veículos automotores, nem que isto signifique um aumento no seu trajeto. Verifique também as condições climáticas do período/local em que pretende pedalar. Lembre-se que chuva e vento podem atrapalhar e muito a sua aventura!

É bom verificar e elencar prováveis pontos de apoio, tais como postos de combustíveis, restaurantes, postos policiais, hospitais, hotéis e pousadas, bem como bicicletarias disponíveis.

Procure sempre viajar em grupo (no mínimo em dupla) e deixe seus familiares bem cientes de suas metas de percurso, fazendo uma espécie de “check in” com eles a cada etapa atingida.

Informe-se também previamente sobre o seu trajeto com outros cicloturistas. No Brasil, esta é uma comunidade bem ampla e colaborativa. Você pode achar boas informações nos seguintes sites:

- Clube do Cicloturismo

- Cicloturista

- Onde Pedalar

No Brasil existem várias agências que operam roteiros de cicloturismo, com roteiros para os mais variados bolsos e gostos. Esta também é uma forma bem interessante de se viajar pois, dependendo do apoio, não há necessidade de se preocupar com a infra-estrutura (como carregar bagagens pesadas, selecionar hotéis e pontos de alimentação), ficando nossa atenção e prazer focadas totalmente no trajeto. Uma outra vantagem é no caso de uma viagem mais distante podermos levar nossos familiares que não pedalam, pois estes serão transportados e apoiados pela agência, também usufruindo da viagem conjuntamente, fazendo passeios e programas em comum nas noites.

Você encontra alguns exemplos de agências de cicloturismo aqui.

E aí? Já está preparando os alforges? Nos próximos posts trataremos do preparo da bike/ ciclista, bem como do quê levar.


Postado em 18 de fevereiro por gugamachado

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Cicloturismo 2: Entrevista com Fábio Samori

Na segunda parte do especial sobre “cicloturismo”, entrevistamos Fábio Samori, um praticante bem experiente da modalidade.

 

Fabio Samori por ele mesmo:

Sempre andei de bike. Desde pequeno, com minha Berlinetinha fui influenciado pelo meu pai, que pedala até hoje. Minha relação com a bike se intensificou durante a faculdade, quando às vezes ia pedalando para as aulas. Porém, em 2003, quando fiz minha primeira viagem de bike pela região do Lagamar, essa relação se tornou paixão e não tenho qualquer vontade que acabe. Quando morei na Europa adotei definitivamente a bicicleta como meu principal meio de transporte por lá e ao voltar ao Brasil felizmente consegui manter o hábito. Hoje a bicicleta para mim representa, além de meu principal meio de locomoção, um enorme ganho em qualidade de vida, seja na cidade, seja na estrada.

Porquê se interessou pelo cicloturismo?

A viagem de 2003 (a primeira) foi praticamente um acaso: eu e minha namorada na época (hoje minha esposa) não tínhamos planejado nenhum lugar para ir passar as curtas férias que teríamos juntos. Tampouco tínhamos muito dinheiro. Aproveitamos o fato de estarmos com a família dela no litoral sul de São Paulo e propus que pedalássemos até a Ilha do Mel. Compramos dois pares de mochilas comuns numa loja de departamentos, costuramos suas alças e as penduramos nos bagageiros improvisadamente fixados nas bicicletas. O roteiro traçado não foi dos melhores. Duas das mochilas se rasgaram, passamos por diversos apuros em termos de equipamentos utilizados e desgaste físico, mas no fim das contas ambos adoramos.

Quais foram as suas principais experiências no cicloturismo? 

Viajei de bicicleta pelos litorais do Sudeste, Sul e Nordeste do Brasil, além de alguns locais do interior de São Paulo. No exterior pude viajar com uma dobrável por parte das Terras Médias Escocesas, com minha touring pelo Marrocos e pela Espanha e mais recentemente, com uma outra dobrável pela Turquia. Cada local tem sua particularidade, beleza e interesse distintos. Diria que em todos esses locais o cicloturismo me aproximou das pessoas que encontrei pelos caminhos percorridos de maneira surpreendente e sempre positiva. Acho que a história mais tocante relacionada às pessoas foi no Marrocos: a uns 50km depois de Marrakesh eu e minha esposa fomos alcançados por um grupo de uns seis garotos também de bicicletas. Fiquei um pouco assustado, pois não sabia de suas intenções e estávamos, ao que me parecia, longe de qualquer lugar onde pudéssemos ter um apoio. Um deles emparelhou a bicicleta com a minha e proferiu algumas palavras em árabe (que não falo e não entendo). Sinalizei que não havia entendido e ele me perguntou de onde éramos “Bresil!?” exclamou o garoto surpreso. “kaká, Ronaldinho!?” Todos adoraram saber que éramos brasileiros. De alguma maneira conseguimos estabelecer uma comunicação: ele se chamava Youssef e voltava da escola para casa. Consegui lhe dizer que estava com fome e pedi uma indicação para um local onde pudéssemos comer. Ele fez sinal para que o seguíssemos e, mesmo ainda com certo “pé atrás” resolvemos ver onde ele nos levaria. Nos guiou direto até uma pequena lanchonete e fez o pedido ao rapaz que atendia ali e provavelmente já o conhecia. um delicioso lanche de carne, provavelmente de carneiro e muito bem temperado. Agradeci muito, já arrependido pelos pensamentos iniciais que me fizeram até temer o grupo de moleques que se aproximara de nós meia hora atrás. Ofereci um lanche – e ele não quis. Ofereci uma Coca-Cola – e ele também não quis. Consegui, ao menos agradecer muito a ele antes que fosse embora almoçar em sua casa. Isso me fez refletir demais sobre os nossos pré conceitos, sobre a bondade pela bondade, a ajuda sem qualquer anseio de recompensa. Ao longo dessa viagem conhecemos mais umas três ou quatro figuras que nos ajudaram assim, mesmo que com muita dificuldade na comunicação. Então, diria, que minha principal experiência no cicloturismo é ter descoberto que viajar de bicicleta não é apenas transpor uma distância, mas sim vivenciar, apreciar, saborear etc. cada quilômetro percorrido.

Alguma dica para os iniciantes? 

Sim. Dispam-se de pré conceitos. É fato que é bom se preparar para uma determinada viagem, um determinado trecho. Escolher bons equipamentos (não os mais caros, mas os mais adequados) também é bom. Saber dos limites do seu corpo não é menos importante. Planejar cada dia de sua viagem aparentemente lhe dá todo o controle da situação. Percorrer uma determinada distância por dia viabiliza a viagem num período curto de tempo, por exemplo. Porém, para mim, cicloturismo é poder parar a bike para uma longa conversa com uma pessoa local ou para um banho de cachoeira, de mar ou de rio. É poder mudar de estrada se a paisagem não agrada. É parar sob uma deliciosa sombra e comer frutas frescas direto do pé. É liberdade pura. Não é corrida contra o relógio ou a quebra de recorde de maior distância percorrida. Para isso há competições. Cicloturismo não é competição: é o seu oposto.

Lembre-se de carregar a menor quantidade de coisas possível (leve um sabão em barra e lave suas roupas durante a viagem, assim não precisará levar diversas mudas de roupa), viajar com uma bicicleta mais confortável e mais simples possível (os reparos nas bikes geralmente são necessários, porém, depende da distância percorrida e do tipo de terreno. Por isto, quanto mais simples a bike, mais simples o reparo, ou mais fácil de se conseguir uma peça que necessite ser substituída), sempre levar água, independente da temperatura.

No mais é não se esquecer da máquina fotográfica, seguir as normas de trânsito e curtir e aprender muito com esse delicioso meio de conhecer o mundo que habitamos.

Quais seus projetos para o futuro? 

A próxima viagem de bike deverá ser pela América do Sul e provavelmente em uma tandem (bicicleta de dois lugares), que eu e a minha esposa estamos namorando há algum tempo, mas ainda não temos data certa para partir. Ainda também não temos um local exato: gostaríamos muito de conhecer o interior do Uruguai e chegar até a região vinícola da Argentina, aos pés dos Andes, porém, as grandes altitudes e pontos como o Salar de Uyuni e/ou o Lago Titicaca nos atraem muito.

Esse ano, no entanto, começo a trabalhar profissionalmente com a bicicleta. Em março, ou mais tardar em abril, será inaugurado o Aro 27 Bike Café, com bikes e acessórios focados no uso urbano e turístico, um bom café com cardápio light, uma área mais reservada para se realizar reuniões de trabalho, confraternizações, enfim, pequenos eventos e o grande diferencial: uma área para estacionamento de bicicletas com seguro, integrada a vestiários com chuveiros, para que o ciclista estacione e vá para o trabalho sob qualquer clima ou após qualquer tipo de pedalada.

O Aro 27 se localizará na Rua Eugênio de Medeiros, 445, a 50m da estação Pinheiros do metrô, da linha 9 da CPTM  e do novo terminal de ônibus e a cerca de 300m da ciclovia da Faria Lima.

Muito obrigado Fábio por dividir conosco parte de sua experiência, e boa sorte em suas próximas aventuras!

Esperamos que esta entrevista possa ajudar e estimular mais ainda a prática do cicloturismo no nosso belo e propício país !!!

Nos próximos posts trataremos da escolha do roteiro, a preparação da bicicleta, a seleção do quê levar e demais dicas relativas ao assunto.

Veja também aqui o primeiro post sobre cicloturismo


Postado em 14 de março por Eu Vou de Bike

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O que é viajar de bicicleta?

O que é viajar de bicicleta? O vídeo abaixo tem algumas respostas…

Veja a tradução abaixo

O que é viajar de bicicleta?
Viajar de bicicleta não é sobre a bicicleta
É sobre ir devagar
Explorar seu país e vê-lo pela primeira vez
É sobre fazer alguma coisa que você achava que não conseguiria
É sobre pedalar a algum lugar que você nunca esteve
É sobre subir lentamente uma montanha
E depois descer voando
É sobre viajar com os amigos
E fazer novos amigos no caminho
É sobre barraquinhas de frutas no acostamento
E descobrir as melhores refeições que você já fez
É sobre se perder para se encontrar
Mas acima de tudo, viajar de bicicleta é sobre pessoas
Compartilhar histórias com outros viajantes
E dar risada com os locais
Porque quando você viaja de bicicleta, é impossível não sorrir
E as pessoas sorriem de volta
Viaje de bicicleta. Viva mais.

Gostou do vídeo? Bateu a inspiração para sair por aí pedalando pelas estradas do Brasil e do mundo? Então você precisa conhecer mais sobre o cicloturismo, uma prática já bem comum na Europa, mas ainda pouco popular no Brasil, principalmente por conta da falta de estrutura para os cicloturistas nas estradas.

Existem várias modalidades do cicloturismo, desde aquelas em que o ciclista viaja por vários dias, semanas ou meses até um destino estabelecido ou, nos casos mais comuns, quando o ciclista tira um dia ou fim de semana para conhecer alguma cidade turística perto de sua casa.

Existem vários sites especializados em cicloturismo, como o Onde Pedalar e o Bem Vindo Cicloturista, com dicas de roteiros e dicas práticas para quem quer fazer a viagem sem muitos percalços. É um bom ponto de partida para quem quer experimentar uma das formas mais livres de se conhecer outras regiões.

- O vídeo foi encontrado no Pedaleiro