Vimos um vídeo no blog Ciudad Ciclista que mostra exatamente como funciona o conceito de ‘comutação‘, que já explicamos por aqui. Basicamente, a comutação é o ato de usar a bicicleta e outros meios de transporte (ônibus, trem ou até carro) para chegar a algum local.
No vídeo abaixo, filmado em Genova, na Itália, é possível ver como funciona a comutação e também como é possível usar a bicicleta como meio de transporte na cidade. Veja:
Seis meses após o lançamento do sistema de aluguel de bicicletas em Londres, o prefeito da cidade, Boris Johnson, comemora os resultados do programa. Segundo as primeiras estatísticas, mais de 20 mil viagens de bicicleta são feitas usando o sistema de aluguel, com cidadãos deixando de usar o sistema de ônibus e metrô e usando a bicicleta como principal meio de transporte.
Mais de 100 mil pessoas fizeram a inscrição para ter direito ao aluguel de bicicletas (£3 por viagem) e mais de 80 mil dessas pessoas vivem em Londres. O programa é um sucesso porque, além de tirar carros das ruas, ainda diminui o número de pessoas no sistema de transportes da cidade, deixando a viagem de quem não pedala mais confortável (e diminui os custos de operação para o governo).
Dos 20 mil inscritos que não vivem em Londres, a pesquisa conclui que os trabalhadores que vão diariamente para a cidade estão usando a bicicleta para cumprir o trajeto final de sua rota diária. Eles chegam a Londres de trem ou ônibus e usam a bicicleta para circular no centro da capital britânica.
Uma pesquisa foi feita para identificar o perfil dos usuários do sistema de aluguel de bicicletas. De acordo com o órgão responsável pela coleta de dados, o usuário comum do programa é homem, branco, entre 25 e 44 anos. Seis em cada dez ganham mais de US$ 78 mil por ano e aproximadamente 88% dos usuários são britânicos ou irlandeses brancos.
É ótimo que exemplos como esse sejam cada vez mais divulgados. Eles mostram que a bicicleta como meio de transporte é viável e pode ser usada por qualquer tipo de pessoa, da mais rica à mais pobre. Além disso, mostra que os benefícios vão muito além da redução do trânsito e da poluição. Com menos gente no sistema de transporte público, o governo pode remanejar linhas, diminuir tarifas e atender melhor a população.
O supermercado americano New Seasons, que vende produtos organizados e mais saudáveis que outros mercados nos EUA, abriu a décima loja da rede no centro de Portland, cidade muito boa para quem usa a bicicleta como meio de transporte.
Mas a grande sacada da loja para atrair o público de Portland, uma das cidades com a maior número de adeptos da bicicleta nos EUA, foi ter ampliado seu estacionamento para bicicletas e diminuído o espaço para carros. Na verdade, há mais vagas de bicicleta do que vagas de carros no mercado.
Além de fornecer apenas 36 vagas de estacionamento para carros, a rede inova ao colocar um considerável número de paraciclos, o que deve encorajar as pessoas a utilizar a bicicleta para as compras corriqueiras. Segundo o site TreeHugger, a rede considerou ainda instalar seu próprio serviço de compartilhamento de bicicletas na loja, mas a ideia foi adiada porque os custos seriam muito altos.
E para rebater as críticas de que fazer compras com bicicleta é complicado porque fica difícil levar os produtos para casa, a loja ainda oferece um serviço de entregas gratuito para quem for às compras de bike.
Na última semana, apontamos algumas cidades brasileiras que, de alguma forma, dão algum tipo de estrutura para que usa a bicicleta como meio de transporte. Mas e no futuro? O que nós, como ciclistas, queremos? Quais são os projetos, melhorias e tendências para que nos próximos anos as cidades fiquem mais amigáveis à bicicleta?
A maior vantagem do sistema de aluguel temporário de bicicletas é o incentivo ao uso da bike para pequenos trajetos ao longo do dia. Com o aluguel, o ciclista não precisa se preocupar onde vai deixar a bicicleta após o uso, ele pode usar o sistema em conjunto com outros meios públicos de transporte e até com o carro.
Um exemplo muito claro de uso do aluguel de bicicletas em São Paulo seria no centro da cidade. Naquela região, é muito complicado andar de carro porque as ruas são estreitas e é muito difícil encontrar estacionamento. O cidadão poderia chegar de metrô até o centro, alugar uma bicicleta e pedalar até seu destino final, por exemplo.
Além de beneficiar as pessoas que alugam a bicicleta individualmente, o coletivo também é beneficiado porque quanto mais bicicletas nas ruas, maior será o respeito dos motoristas. E o sistema também pode incentivar quem nunca pensou em pedalar a experimentar a bicicleta.
2 – Bicicletários bem estruturados
De que adianta a pessoa se propor a usar a bicicleta como meio de transporte se ela não vai encontrar locais seguros e adequados para guardar a bicicleta espalhados pela cidade?
Projetos como este estacionamento vertical de bicicletas no centro da Filadélfia (EUA), em um local atualmente ocupado por um estacionamento, devem ser aprimorados e exportados para outras metrópoles.
No projeto da Filadélfia, além de mais de 600 vagas de bicicletas, está prevista a instalação de uma oficina, um café e vestiários para os ciclistas.
É claro que uma estrutura desse tipo é uma coisa muito avançada e difícil de ser reproduzida. Mas já agradecemos se o número de bicicletários se expandisse e não ficasse restrito às estações de metrô e trem das cidades.
3 – Ciclofaixas e ciclovias
A criação de novas ciclovias e ciclofaixas é provavelmente a maior tendência para as cidades que pensam a bicicleta como uma alternativa ao carro. No Brasil, já existem algumas iniciativas das Prefeituras para melhorar as condições para os ciclistas que pedalam nas cidades. Porém, a maioria das cidades brasileiras ainda está longe de ter condições boas e seguras para os ciclistas circularem no trânsito urbano.
Ciclovia da Marginal Pinheiros, em São Paulo
É importante ressaltar que a ciclovia por si só não vai garantir que as pessoas usem a bicicleta. Ela precisa ser projetada para percorrer pontos estratégicos da cidade, interligar as regiões e ser bem acessível.
Além disso, é impossível ter ciclovias e ciclofaixas em todas as ruas de uma cidade. Então, ela deve ser usada especialmente em grandes avenidas e vias mais perigosas. Nas outras vias de menor tráfego, o ciclista pode e deve continuar pedalando pela rua e, de preferência, sendo respeitado pelos motoristas.
4 – Incentivo à comutação
Para que cada vez mais pessoas passem a usar a bicicleta como meio de transporte, é necessário que a administração pública facilite o uso combinado da bike com outras formas de transporte, como o ônibus, metrô e trem.
A comutação em grandes cidades brasileiras ainda é incipiente, com exceção do uso que os ciclistas fazem da balsa que liga Santos ao Guarujá. Em São Paulo, por exemplo, é impossível entrar com a bicicleta nos vagões em dias de semana (somente após as 20:00 horas), sendo que o uso é apenas liberado aos fins de semana, após as 14:00 do sábado.
Um ônibus com um rack para bicicletas na parte da frente, muito usado no exterior, está em fase de testes em São Paulo. Este é um projeto que pode dar certo e facilitar muito a vida dos ciclistas da cidade.
5 – Estrutura em empresas
Muitas vezes, é fácil reclamar da inércia dos governos e colocar a culpa pelo baixo número de pessoas usando a bicicleta como meio de transporte nas deficiências da administração pública. Mas um grande problema apontado por aqueles que querem trabalhar de bicicleta, mas não conseguem, é a falta de estrutura na própria empresa.
Pode parecer absurdo, mas é muito grande o número de empresas, escritórios e repartições públicas que não oferecem nem um simples paraciclo ao ciclista. O que algumas poucas empresas têm feito, e que deve ser tendência para os próximos anos, é oferecer um vestiário adequado, com armários individuais, para incentivar os funcionários a irem de bicicleta ao serviço. Afinal, funcionário que chega pedalando trabalha mais feliz e com mais disposição, não é?!
Um dos problemas dos sistemas de aluguel de bicicletas encontrados em Londres, Paris e até na USP, aqui em São Paulo, é a dificuldade em encontrar locais para construir as estações que disponibilizam as bicicletas ao público. Um projeto da empresa australiana Charlwood Design busca a solução deste problema ao propor estações móveis de aluguel de bicicletas e com energia gerada pelo vento.
Além de gerar sua própria energia, as estações enviam as informações sobre disponibilidade das bicicletas via celular, sem necessitar a instalação de fios. O computador central e a iluminação das bicicletas também é garantido a partir da energia eólica.
As bicicletas propostas no projeto são bem simples, mas seguras e fáceis de manejar. O quadro é de polipropileno moldado, de fácil manutenção, e o selim pode ser ajustado pelos ciclistas para maior conforto. Para garantir a segurança, a bicicleta tem iluminação traseira e frontal.
O mais legal desse projeto é a facilidade de instalação das estações de aluguel de bicicletas. Elas podem ser distribuídas pela cidade de acordo com a demanda e podem ser transferidas de local no caso de algum evento importante, por exemplo.
Estações podem ser transportadas para locais de maior demanda
O aluguel das bicicletas poderá ser feito com um cartão específico ou até via celular. Para incentivar a devolução da bicicleta nas estações, o ciclista que deixar a bike intacta ganha desconto em restaurantes ou um passe de graça de metrô ou ônibus. Interessante, não?
Sinalização na estação indica se há bicicletas disponíveis
Os produtores do Streetfilms estiveram em Copenhague , capital da Dinamarca, durante a conferência Velocity 2010 e trouxeram para a gente um ótimo vídeo da visão americana sobre o uso da bicicleta na cidade.
Para captar a visão dos americanos sobre a cultura de Copenhague, o pessoal do Streetfilms entrevistou os delegados e representantes do país que participam da Velocity 2010 para comparar o uso da bicicleta na Dinamarca e nos mais variados lugares dos EUA.
Diferentemente de países como Holanda e Dinamarca, a cultura da bicicleta como meio de transporte não é tão comum nos EUA, com exceção de algumas cidades como Seattle e Portland.
Em Copenhague, cerca de 38% dos deslocamentos diários são feitos sobre bicicleta! Com uma infraestrutura adequada e segura para os ciclistas, a bicicleta é o meio de transporte dos mais variados tipos: desde os jovens até idosos, homens e mulheres. As mulheres, aliás, são maioria, correspondendo a 55% dos ciclistas da cidade, segundo as últimas estatísticas.
Assista ao vídeo e veja os destaques traduzidos:
Andy Clarke, presidente da Liga dos Ciclistas Americanos, é o primeiro entrevistado do vídeo. Ele afirma que só dá para entender o que acontece na hora do rush das bicicletas em Copenhague estando na cidade e pedalando junto com os moradores.
Martha Roskowsky, delegada representante da cidade de Boulder, no Colorado, explica que em Copenhague há um sistema em que “todas as vias estão adaptadas para o uso da bicicleta”. Ela explica a diferença positiva que faz existir uma via própria para bikes nas ruas mais movimentadas para incentivar o pedal entre a população.
Leah Shahum, da San Francisco Bike Coalition, destaca a estrutura de bicicletários na cidade e também o número de famílias que pedalam calmamente com suas “cargo-bikes”. “Aqui a velocidade baixa é até celebrada”, diz ela. Do mesmo modo, o professor Peter Furth, da Northeastern University, diz que os ciclistas nos EUA “se sentem como pessoas fora da lei”. “Aqui, parece que estederam o tapete vermelho para você”, diz.
Jeff Mapes, autor do livro “Pedaling Revolution“, destaca a importância das ciclofaixas pintadas de azul claro nas ruas mais movimentadas. “Quando você entra em uma rua movimentada aqui em Copenhague, você sabe que vai encontrar uma ciclofaixa, uma rota, e vai estar em seu destino em poucos minutos”, diz.
Jackie Douglas, do LivableStreets Alliance, disse estar impressionada com os “contadores” de ciclistas espalhados pelas ruas mais movimentadas. “Isso mostra que o ciclista deveria estar naquela rua. Ninguém vai gritar para você sair do caminho”, diz ela.
O dinamarquês Mikael Colville-Andersen, do blog Copenhagenize.com, explica que as crianças aprendem a pedalar na escola, em aulas obrigatórias. Segundo Andersen, os pequenos dinamarqueses têm aulas práticas de condução da bicicleta, segurança e sinalização.
O músico David Byrne, líder da banda Talking Heads, é um ávido ativista da bicicleta como meio de transporte. Como já mencionamos, Byrne cultivou o hábito de pedalar sempre que viajava em turnê com sua banda, levando consigo uma bicicleta dobrável e conhecendo seu destino através das duas rodas, além de utilizar também a bike como seu meio de transporte em Nova York, cidade onde vive.
Autor do livro “Diários de Bicicleta“, no qual conta suas experiências osbre duas rodas, Byrne defende a bicicleta como a melhor forma de se locomover, especialmente nas grandes cidades.
Morador de Nova York, o músico faz diariamente seu trajeto de casa, em Midtown, até o escritório, no Soho, de bicicleta. Em uma entrevista ao jornal “The New York Times”, Byrne afirma que esse é um de seus melhores passeios.
Para ele, pedalar é uma questão de utilidade. “Chegar do ponto A ao ponto B”. Na entrevista ao “The New York Times”, ele explica que planeja suas rotas de acordo com a existência de ciclofaixas ou ciclovias, mas também pedala em meio ao trânsito se for necessário.
Um dos benefícios da bicicleta citados por Byrne na entrevista ao NYT é a chance de “limpar a cabeça”. “Sua consciência fica livre para meditar sobre o que você tem de lidar naquele dia, ou qualquer coisa criativa em que esteja trabalhando”, explicou.
Para complementar a entrevista ao “The New York Times”, Byrne convidou o repórter para um passeio de bicicleta por Nova York. É uma pena que o vídeo esteja apenas em inglês, mas mesmo se você não entende a língua, vale assistir apenas pelas imagens.
Apesar da operação bem sucedida, a blogueira relatou uma pequena dificuldade na hora de equilibrar a caixa com os produtos na garupa da bicicleta. Foi pensando nisso que projetaram a bicicleta dobrável “Ville”, que se transforma em um carrinho de compras com apenas alguns ajustes.
Além de ajudar nas compras, a bicicleta “Ville” pode ser usada para muitas outras coisas, como por exemplo transportar alunos pelo campus de uma faculdade. Quando eles entram no prédio, a bicicleta vira um carrinho para levar livros e materais escolares. Que tal?
É claro que esta bicicleta é só um protótipo criado pelo designer Hyuk-Jae Chang e dificilmente veremos algo do gênero à venda aqui no Brasil. Mas a ideia é muito boa e prática, não?
A mobilidade urbana é uma das grandes questões desta década. Já falamos aqui sobre os benefícios da comutação, que é quando você usa sua bicicleta combinada a algum outro meio de transporte para chegar ao seu destino. Pensando nessa integração, a Volkswagen lançou, durante o Auto China 2010, uma bicicleta elétrica e dobrável que tem como objetivo principal ser usada em complemento ao carro.
A VW Bik.e é movida a bateria, não tem pedais e, quando dobrada, cabe no lugar do estepe que geralmente fica no porta-malas dos veículos. Enquanto está dobrada no porta-malas, a bateria da bike é recarregada pela energia gerada no motor do carro, o que significa que você dificilmente irá ficar na mão, sem bateria. Com design clean, a bicicleta da Volks não tem marchas e tem freios nas duas rodas.
Ao anunciar a novidade, a Volks afirma que o produto, ainda sem data de lançamento, é ideal para quem pretende usar uma bicicleta para se locomover nas grandes cidades, como por exemplo quem dirige até bolsões de estacionamento e quer pedalar pelos centros urbanos mais congestionados. A bateria da VW Bik.e tem autonomia para percorrer cerca de 20 quilômetros, com velocidade máxima de 20 km/h.
Veja no vídeo abaixo o funcionamento da VW Bik.e:
Apesar de não ter pedais e ser movida a bateria, este tipo de inovação pode trazer para o mundo das bicicletas muitas pessoas que não conseguem (ou não querem) abrir mão do carro. Seria um primeiro passo para a mudanças de hábitos a longo prazo.
E para você, como seria a bicicleta ideal para fazer sua comutação ao trabalho, de modo a fazer a integração da bike com outros meios de transporte? Seria dobrável? Elétrica?
“A bicicleta é o meio de transporte mais utilizado no mundo”. Com esta frase, o músico David Byrne (ex-Talking Heads) inicia o seu livro, intitulado “Diários de Bicicleta“, no qual ele registrou as suas impressões ao pedalar por várias cidades pelo mundo.
Byrne cultivou o hábito de pedalar sempre que viajava em turnê com sua banda, levando consigo uma bike dobrável e conhecendo seu destino através das duas rodas, além de utilizar também a bike como seu meio de transporte em Nova York, cidade onde vive. Durante essas pedaladas, Byrne teve que combinar o uso a bike com outro meio de transporte disponível (trens, metrô etc.) para atingir o seu destino.
A este ato – combinar a bike com outro meio de transporte para se chegar a um destino – dá-se o nome de comutação mista. O objetivo da comutação mista é combinar os pontos fortes (e compensar as deficiências) das várias opções de transporte disponíveis.
E esta integração dos meios de transporte é a solução para o trânsito cada vez mais inviável das grandes metrópoles, em especial da América Latina, que é a região em desenvolvimento mais urbanizada do mundo. A integração reduz custos operacionais, além de aumentar muito a acessibilildade das cidades.
No exterior, em países e cidades em que a cultura da bike é mais presente, este tipo de comutação já é uma prática muito utilizada e, portanto, bem mais desenvolvida.
Para se ter uma idéia, o ciclista profissional Lance Armstrong abriu uma loja em Austin, no Texas, chamada Mellow Johnny’s, que é tão dedicada à comutação a ponto de contar com chuveiros e vestiários para serem utilizados pelos ciclistas. A loja conta ainda ainda com um bicicletário e armários de uso grátis para os “commuters“, aqueles que vão pedalando para o trabalho. A filosofia da loja é “Nossa paixão é servir a comunidade dos usuários de bike. Nossa missão é converter as pessoas a uma vida de bike” (“Our passion is serving the bike community. Our mission is converting people to a bike life”).
No Brasil, a comutação ainda está em fase “beta”, usando a linguagem da internet. Na maioria das cidades ela inexiste. Em outras, ela ainda “engatinha”. E ainda é comum encontrar situações bizarras, como a que enfrentei recentemente quando o motorista de um ônibus se recusou a embarcar minha bike como bagagem na volta de uma viagem porque ela estava “suja demais”!
Atualmente, são registrados mais de 200 milhões de deslocamentos por dia nas cidades brasileiras, segundo levantamento da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) realizado em 2008. Cerca de metade desses deslocamentos é feita a pé ou de bicicleta. A outra metade corresponde às viagens feitas por veículos motorizados (carros, motos e transporte público). Se projetarmos o crescimento destes números para os próximos dez anos, chegaremos ao legítimo “apagão viário” no País.
Já dissemos por aqui que a distância ideal para ser percorrida de bike em sua integralidade é por volta de 7 quilômetros, e isto também depende do relevo encontrado no trecho a ser percorrido.
E como fazer com as distâncias acima de 7 km? A solução é combinar a bike com outro meio de transporte. Se pensarmos nas cidades grandes e médias, encontraremos trens, metrô e ônibus como opções. Esta integração da bike com outros meios de transporte pode ser dar de várias maneiras. Veja alguns exemplos:
- Posso ir de bike até uma estação de trem ou metrô, deixar minha bike em um bicicletário e prosseguir ao meu destino por meio do transporte coletivo;
- Posso ir de bike até uma estação de trem, metrô ou onibus e embarcar com a bicicleta. Ao descer do transporte público, posso continuar meu caminho de bike até meu destino final;
- Posso ter a minha disposição uma bike para ser utilizada por mim a partir da minha chegada na estação de trem/metrô de minha escolha, sendo que daí faço a comutação para esta bike e chego ao meu destino de bike.
Quando dependemos de transporte coletivo, as regras para os ciclistas costumam variar conforme a empresa a ser utilizada.
Com relação aos ônibus, podemos dividir os deslocamentos em três modalidades: municipais, intermunicipais e interestaduais.
A legislação brasileira é ambígua e cheia de lacunas no que diz respeito ao transporte de bicicletas em ônibus intermunicipais e interestaduais. É comum o uso de ônibus quando praticamos o cicloturismo, onde o ciclista geralmente chega ao seu destino pedalando e curtindo a viagem, retornando de ônibus e levando a bike na bagagem. Aqui a questão é completamente subjetiva, isto é, dependemos do humor e da disposição do motorista do ônibus. Se o motorista não quiser liberar a bike por causa de espaço ou do risco de alguma das partes da bike perfurar a mala de terceiros, o ideal é desmontar as rodas, baixar o selim e até embalá-la em plástico ou em alguma caixa de papelão. Aliás, existem hoje no mercado diversas opções de “mala bikes”, ideal para quem realiza muito este tipo de viagem.
Com relação aos ônibus municipais, muito recentemente temos assistido a iniciativas “piloto” interessantes, que incluem o uso de ônibus adaptado com bagageiros especiais para bikes. Esta é uma iniciativa que, apesar de ainda estar em testes, dá indícios de que pode ser promissora!
Se você pretende viajar para locais mais distantes com sua bike, fique atento! Em companhias aéreas, geralmente é cobrada uma taxa especial sobre “material esportivo”, que costuma ser bem alta! Recentemente, algumas companhias atentaram para o absurdo deste fato e flexibilizaram estas normas. De acordo com a Infraero, cada empresa possui seu próprio regulamento quanto as bagagens.
Com relação aos trens e e o sistema de metrô de São Paulo,temos percebido recenetemente algumas iniciativas que prometem integrar cada vez mais as bikes ao transporte público. A CMTP (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) tem realizado várias ações com as bikes, mas as três mais relevantes são:
- Bicicletários: “Os bicicletários estimulam os trabalhadores que moram relativamente perto das estações da CPTM a se locomover de bicicleta, deixando o equipamento guardado em segurança até a volta para casa”. – Veja mais informações
- Ciclista Cidadão: Nos finais de semana e feriados são permitidos o transporte do ciclista e sua bike em um vagão especialmente reservado para esta finalidade (somente será permitido o transporte de até 4 bikes por vagão). – Veja mais informações
- Ciclovia do Rio Pinheiros: Com 14 km em sua primeira fase, a Ciclovia Rio Pinheiros é uma alternativa para o deslocamento diário, além de opção de lazer, proporcionando uma vida mais saudável. – Veja mais informações
Por sua vez, a CMSP (Companhia do Metropolitano de São Paulo), que é a companhia que cuida do metrô paulistano, tem feito as seguintes ações:
- Bicicletários: No total, 15 estações oferecem o serviço de bicicletário ou aluguel de bicicletas. Em todas as estações que participam do projeto, estão disponíveis dez bicicletas para aluguel e dez vagas para estacionamento (paraciclos), com exceção dos locais de maior movimento, como Itaquera, Guilhermina e Carrão, onde são 90 espaços reservados para as bikes serem estacionadas. Ao todo, o projeto já conta com 636 vagas de paraciclos e 202 bikes disponíveis para locação na capital paulista. Saiba mais sobre os bicicletários no metrô de São Paulo. – Veja mais informações
- Ciclista Cidadão: Você pode transportar sua bike pelo sistema metroviário, sempre no último vagão do trem. Os horários para os ciclistas usarem o sistema aos finais de semana e feriados são: sábados, das 14h até o final da operação comercial (uma hora da manhã de domingo). Aos domingos e feriados, está garantido o acesso dos ciclistas durante todo o funcionamento do sistema: de 4h40 à meia-noite. Recentemente foi permitido o uso em dias de semana, após as 20:30. Torcemos para que a permissão seja estendida para todos os horários de funcionamento do metrô em breve. – Veja mais informações
- Empréstimo de bikes nos bicicletários: Para você usar o serviço de empréstimo de bikes nos bicicletários do Metrô, basta comparecer a um dos locais levando RG e CPF para efetuar o cadastro. No caso de empréstimo da bicicleta, também é necessário um cartão de crédito Visa, Mastercard ou Amex com um limite disponível de R$ 350 para pré-autorização e comprovante de residência. Na retirada da bicicleta, o cilcista receberá capacete e cadeado, podendo devolvê-los em outros bicicletários do sistema ou em uma das sete unidades da Rede Estapar participantes do programa UseBike, da Porto Seguro. – Veja mais informações
Estas ações do poder público ainda são tímidas, mas promissoras no sentido de facilitar a integração da bike aos outros meios de transporte. Em breve, a equipe do “Eu Vou de Bike” vai fazer um “test ride” de todos estes sistemas, postando nossas impressões e fotos de todo o processo.
Se você mora em outra cidade e conhece outras iniciativas, por favor, nos informe aqui nos comentários! Vamos todos colaborar no sentido de cada vez mais podermos usar nossas bikes como um meio de transporte eficaz!