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Blog Vou de Bike

Postado em 18 de dezembro por gugamachado

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Depoimento: De bicicleta para o trabalho, por Caio Racca

O texto abaixo foi enviado por Caio Racca, que usou a bicicleta para ir ao trabalho pela primeira vez em São Paulo. Leia o relato, compartilhe suas experiências e envie também seu depoimento para contato@euvoudebike.com

Hoje eu vim de bicicleta para o trabalho.

Taí uma coisa que nunca achei que ia fazer. Sempre tive bicicleta quando menino. Tive Caloi 10, Sprint 10, BMX e era fascinado por uma extra light. Dá pra deduzir a minha idade.

O tempo passou, tirei carta, carro era tudo. Esqueci da bicicleta e a minha última ou o tempo consumiu ou alguém que não eu.

Casei, comprei meu “apertamento”, o prédio não tinha muita infra-estrutura de lazer. Quando minha filha nasceu, andava de triciclo e depois daquelas com rodinhas, bem pequenas. No seu aniversário de 7 anos, dei uma aro 16 para ela. Mas ela só podia andar quando saíamos para o parque Villa Lobos.

Surgiu então a possibilidade de comprar uma casa em um condomínio. Comprei. E estou feliz. Na mudança, colocamos a bicicleta da minha filha na garagem e ela ficou sozinha lá. Um estagiário me acenou com a possibilidade de vender a bicicleta usada dele, parada na casa de seus pais. Preço justo para uma bicicleta nova, sem uso e vestindo pó. Enchi os pneus, e voltei para a minha casa pedalando. Sofri. Não tinha condicionamento nenhum e já faziam uns 20 anos que não andava de bicicleta. E olha que eram só umas 10 quadras.

Comecei então, aos domingos, a ir para a padaria de bicicleta. Escolhi uma padaria boa, a uns 4 quilômetros de casa. Na ida e vinda, 8 quilômetros no total. E cansava.

Um dia, quando estava indo pela Avenida Eliseu de Almeida, rumo à tal da padaria, pensei que poderia chegar até o final da avenida e voltar para pegar o pão. Cheguei. E aí pensei que poderia chegar até a entrada da USP e voltar. Cheguei. Já na ciclofaixa, pensei que poderia passar a ponte da Cidade Universitária, dar a volta na Praça Panamericana e voltar para a padoca. Quando me vi, estava na frente do parque Villa Lobos. A minha esposa e minha filha (e eu também) não acreditaram que andei até lá de bicicleta.

E assim foi, a cada domingo, pedalando mais e mais, sempre cedo, lá pelas 7 da manhã, antes das meninas acordarem. Domingo passado foram 50 km. E estou feliz.

Nesta semana, lendo posts do Twitter, achei que poderia vir para o trabalho de bicicleta. Afinal de contas, são só 10 km de carro da minha casa até o Hospital das Clínicas da FMUSP, onde trabalho, o famoso “HCzão”.

Saí hoje (sexta feira, dia 16/12/2012), às 05h20 de casa. Antecipadamente escolhi um trajeto que, embora mais longo, fosse mais seguro. Saí então na Av. Eliseu de Almeida, peguei a rua Camargo até a praça Vicente Rodrigues e continuei pela Av. Valentim Gentil até a ponte da Cidade Universitária. Desmontado da bicicleta, atravessei a ponte, subi na bicicleta de novo, entrei na Av. Pedroso de Morais até a rua Teodoro Sampaio, onde existe um “corredor” em que os carros podem estacionar no lado esquerdo. Como era muito cedo, ninguém estava estacionado, a não ser pequenos caminhões de entrega . De lá, subi até a Av. Henrique Schaumann. A partir dali, a Teodoro não tem mais este estacionamento à esquerda e se torna perigoso “subir” de bicicleta. Fui então até uma paralela, a rua Artur de Azevedo e subiria até chegar no HC.

Subida íngreme, coração e pulmões pulando pra fora da boca e as pernas ardendo…

Cheguei feliz e realizado. Tomei um banho rápido, me troquei e fui trabalhar. Agora, vou ter que voltar para casa!!!

Agradeço a vocês pelo incentivo. Acho que pelo menos às sextas, quando consigo me vestir mais casualmente, vou vir de bike para o trabalho.

Caio Racca (@caioracca)

Observações:

1) Ainda não há respeito por parte dos motoristas de ônibus principalmente. Fiquei com dedo de algumas “finas” que tiraram de mim.

2) Fiquei cansado fisicamente, mas também pela tensão de ser a primeira vez no trânsito, num dia útil, ainda que cedo.

3) A pavimentação da Av. Eliseu de Almeida “cansa” pela quantidade de buracos e fissuras no asfalto. Já reclamei com o prefeito Gilberto Kassab e ele me disse que “vai acontecer” a nova pavimentação.

4) Estou muito contente com o meu “feito”. Corpo cansado, mas com muita disposição mental. Ainda não estou no meu melhor condicionamento, mas para quem nunca teve condicionamento, está com uns bons pares de quilos acima do peso ideal e é ex-fumante, está valendo!

5) Vou fazer de novo!!!

Gostou do relato? Nós adoramos!

E você, se sentiu motivado a usar a bicicleta como meio de transporte, pelo menos uma vez na semana?

Mande seu depoimento que nós publicaremos com o maior prazer!!!!

Escreva para contato@euvoudebike.com