Após a polêmica apreensão de uma bicicleta elétrica durante uma blitz da Lei Seca, a Prefeitura do Rio de Janeiro publicou um decreto nesta segunda (7) para regulamentar o uso das bikes elétricas, cada vez mais populares na Cidade Maravilhosa.
De acordo com a regulamentação, a bicicleta elétrica deve ser tratada como uma bicicleta comum, mas com algumas ressalvas. A velocidade não pode ultrapassar 20 km/h e o ciclista deve ter pelo menos 16 anos para operar uma e-bike.
De acordo com o decreto, os modelos elétricos devem ser considerados como as outras bicicletas, desde que o condutor obedeça ao limite de velocidade de 20 km por hora e tenha, pelo menos, 16 anos de idade.
A decisão da prefeitura do Rio de Janeiro vai em sentido contrário ao da definição do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que exige habilitação especial e emplacamento da bicicleta. Por enquanto, nada disso será necessário.
É interessante ver no texto do decreto que a Prefeitura do Rio de Janeiro já vê a bicicleta (elétrica ou não) como “meio alternativo de transporte (…) auxiliar na redução dos problemas enfrentados nas grandes metrópoles”. Bacana!
O assunto é polêmico e ainda vai dar pano pra manga. Por isso, queremos saber a sua opinião. Você acha que o condutor de uma bicicleta elétrica deve ter habilitação ou apenas seguir um limite de velocidade e manter para manter a sua segurança e a dos outros cidadãos? Deixe sua opinião nos comentários!
Veja a íntegra do decreto abaixo:
“O PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, no uso de suas atribuições legais; e
CONSIDERANDO que, na forma do art. 225 da Constituição Federal, é dever do Poder Público estimular práticas ambientalmente saudáveis e sustentáveis;
CONSIDERANDO que a utilização de bicicletas elétricas tende a auxiliar na redução dos problemas enfrentados nas grandes metrópoles pela poluição sonora, causada por motores à combustão;
CONSIDERANDO que utilização de bicicletas elétricas, como meio alternativo de transporte, tem impacto ambiental extremamente reduzido, por se servir de fonte de energia limpa;
CONSIDERANDO a necessidade de reduzir a dependência de veículos alimentados por fontes de energia provenientes de combustíveis fósseis;
CONSIDERANDO que compete ao Poder Público Municipal, na forma do art. 24, inciso II, da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, “planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas”;
CONSIDERANDO o disposto no art. 129 da Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997, segundo o qual “o registro e o licenciamento dos veículos de propulsão humana, dos ciclomotores e dos veículos de tração animal obedecerão à regulamentação estabelecida em legislação municipal do domicílio ou residência de seus proprietários”;
CONSIDERANDO a singularidade da malha cicloviária existente na Cidade do Rio de Janeiro, com extensão superior a duzentos e setenta quilômetros, permitindo a ampla circulação de pessoas, tanto para fins de lazer como para fins de deslocamento da população;
CONSIDERANDO a necessidade de regulamentar a utilização de bicicletas elétricas no âmbito territorial do Município do Rio de Janeiro, observadas as especificidades e o interesse local, conforme autoriza o art. 30, I, da Constituição Federal;
DECRETA:
Art. 1º. Para fins de circulação em ciclovias, ciclofaixas e vias públicas, equiparam-se as bicicletas elétricas às bicicletas movidas a propulsão humana, cuja regulamentação específica deverá ser respeitada, desde que observado o limite de velocidade de vinte quilômetros por hora e que o ciclista possua idade mínima igual ou superior a dezesseis anos.
Art. 2º. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Rio de Janeiro, 4 de maio de 2012; 448º ano da fundação da Cidade.
EDUARDO PAES.”
Ao longo das próximas semanas, vamos compilar aqui no Eu Vou de Bike uma série de dicas que já publicamos ao longo de quase dois anos de blog.
Nesta segunda, vamos dar algumas dicas para você pedalar na cidade com mais segurança, sem se envolver em acidentes e garantindo um trajeto tranquilo. As dicas são para quem está começando e quer
1. Pedale no lado direito da via e, caso necessário, ocupe a faixa. Evite ao máximo pedalar na contra-mão. Na estrada, use o acostamento.
2. Cuidado com carros estacionados. Portas podem ser abertas a qualquer momento, e este acidente é mais comum do que se imagina. Ao passar por carros estacionados, procure observar se há ocupantes dentro destes, o que pode indicar alguém que vai sair sem prestar a devida atenção.
3. Seja previsível aos motoristas. Não mude de direção sem deixar clara a sua intenção. Procure não “costurar” nos congestionamentos e evite ao máximo trafegar pela calçada.
4. E agradeça sempre com sinal de positivo ou dizendo “Obrigado” aos motoristas que se mostrarem civilizados e facilitarem a sua passagem.
5. Não se envolva em discussões inúteis nem xingue os mais estressados.
6. Não execute manobras com sua “bike” para as quais não esteja treinado. É tombo na certa.
7. Procure vestir sempre roupas adequadas ao clima. Durante a noite, dê preferência a cores mais claras.
Se você pedala durante a noite, você já sabe que a iluminação na bicicleta é muito importante. E é para deixar seu pedal ainda mais seguro que criaram o capacete Torch, que vem com luzes de LED acopladas na frente e atrás, aumentando bastante a visibilidade do ciclista.
Segundo seus criadores, o capacete Torch foi feito para o ciclista urbano “que não tem medo de se divertir após anoitecer”. O produto tem luzes vermelhas na parte de trás, condizentes com os padrões de segurança, e luzes brancas de LED na frente, que iluminam o caminho de quem pedala.
Veja abaixo como funciona o Torch:
O capacete ainda está em fase de projeto e seus inventores estão levantando fundos coletivamente no site Kickstarter. Se o financiamento for bem sucedido, cada capacete será comercializado por cerca de US$ 100.
Apesar dos recentes acidentes, nós estamos muito felizes com o aumento do número de bicicletas nas ruas, quer seja nos finais de semana nas ciclofaixas de maneira recreacional, ou utilizadas no dia-a-dia como meio de transporte. O que importa é que a cidade de São Paulo, em especial, vai aos poucos se acostumando com a presença da bicicleta nas ruas.
Ultimamente também temos acompanhado e divulgado várias iniciativas no sentido de incluir a bicicleta em nosso cotidiano. Uma destas iniciativas é o projeto Escolas de Bicicleta, cujo slogan é “pedalar para educar“.
Esta é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, dirigida pelo também ciclista Alexandre Schneider, cujo assessor, o nosso amigo Daniel Guth, vai nos explicar melhor sobre este projeto.
Olha a bike, que linda! Notem que o quadro é feito de bambu! Mais sustentabilidade impossível…
- Qual a importância do incentivo ao uso da bicicleta para os jovens?
Do ponto de vista pedagógico, a bicicleta é uma das melhores ferramentas para trabalhar alguns conceitos e para promover determinadas transformações. A faixa etária que antecede o terceiro setênio, particularmente dos 12 aos 14 anos, é muito especial pela formação do caráter e dos valores que o aluno levará para o resto da vida. Também o desenvolvimento da atividade física e das regras assimiladas, atreladas a uma necessidade de expansão das relações comunitárias, fará com que o programa atinja seu propósito máximo: educar para a vida.
- Há algum apoio da iniciativa privada neste projeto?
Ainda não. Este é um programa público, com recursos da Educação, da Prefeitura, e que necessita de diretrizes e acompanhamentos muito claros no instante da implantação. Para o médio e longo prazo será possível ter apoio da iniciativa privada, sem perder estas diretrizes e o caráter público do programa.
- Qual a participação do dinamarquês Mikael Colville-Andersen no projeto?
Ele foi chamado para assinar a coordenação pedagógica do programa, trazendo a experiência de outras cidades e particularmente a de Copenhague. Vale ressaltar que desde 1947 a Dinamarca possui programas de apoio e incentivo a bicicletas em idade escolar, contemplando integração familiar e a expectativa destes jovens. A experiência dinamarquesa de entregar diplomas aos alunos que passaram pelos “testes” também é fantástica. Isto fortalece, com o tempo, os laços familiares e reafirma novos paradigmas da sociedade, fazendo com que o pai se orgulhe do filho – pois ele também guardou seu diploma de quando frequentou uma Escola de Bicicleta.
Enfim, acredito que Copenhague não é São Paulo, mas São Paulo pode ser cada vez mais Copenhague. Por isto esta chancela e a coordenação pedagógica do grupo Copenhagenize é fundamental.
- O que dizer para as pessoas que criticam a iniciativa e dizem que ela coloca os estudantes em perigo?
Esta é uma reação por vezes natural quando nos deparamos com mudanças, com quebras de paradigmas. Mas isto vale para qualquer situação de nossas vidas. O preconceito é também o medo do desconhecido, e muitas vezes ele se manifesta travestido de reações apaixonadas, emotivas.
É importante ressaltar que o apoio à bicicleta na Rede Municipal de Educação se deu a partir de uma constatação muito clara: já há utilização de bicicleta em nossas escolas. Seja por parte dos alunos, dos professores, dos funcionários ou dos pais. Na última pesquisa Origem/Destino, feita pelo metrô em 2007, dos deslocamentos feitos de bicicleta, 15% tinham como destino a “Escola”. Ou seja, qual é a função do agente público ao se deparar com estes fatos? No meu entendimento é o de compreender e estruturar o apoio necessário. Nós começamos a fazer isto com a instalação de paraciclos nas escolas e nos CEUs e o programa escolas de bicicleta surgiu na esteira deste apoio.
A segurança do aluno-ciclista do programa tem correspondência em ações imediatas, como o acompanhamento diário de monitores treinados; as aulas que somam mais de 32h para ensiná-los sinalização de trânsito, como pedalar em comboio, como sinalizar com as mãos, equilíbrio e postura; acessórios como capacetes, luzinhas, buzinas, colete, espelho retrovisor, bandeirinha e cadeado; a rede de articulação e comunicação nos bairros para divulgar a presença de crianças em comboio passando na porta da casa das pessoas; a escolha de rotas tranqüilas e amigáveis aos ciclistas, com ruas de 30km/h de velocidade máxima; e a possibilidade de sinalização da CET, a médio prazo.
Nenhuma ação direta de segurança é mais eficaz do que as comunidades do entorno dos CEUs impactadas com a presença dos comboios de bicicleta passando todos os dias na porta das casas. O efeito educativo, e, portanto, do respeito ao ciclista, será imediato. Afinal, quem poderia ser contra crianças pedalando?
- Há alguma proposta para associar o projeto ‘Escolas de Bicicleta’ com as estações de aluguel de bicicletas que devem ser instaladas em breve em São Paulo?
Neste momento não. Mesmo porque os 46 CEUs estão localizados nos bairros e muitos nas franjas da cidade, locais ainda não contemplados pelo planejamento destas estações de aluguel de bicicletas.
- Quantos alunos o projeto busca atingir a longo prazo?t
Nesta fase do programa contaremos com 4.600 alunos. A proposta é amplia-lo gradativamente, ano a ano. Nosso sonho é atingir todas as EMEFs do município, não apenas os CEUs. Mas vamos implantar, avaliar, consolidar e planejar como crescer.
Muito obrigado pela entrevista, Daniel Guth, e nós aqui do EVDB torcemos para que este seja um marco para o início de um tempo novo na história da bicicleta em nossa cidade, e, quem sabe, em nosso país!
O Departamento de Polícia de Baltimore, nos Estados Unidos, criou um vídeo de conscientização com algumas dicas de segurança para ciclistas e motoristas da cidade.
A iniciativa é muito interessante, porque mostra que as autoridades da cidade entendem a bicicleta como um meio de transporte e estão preocupadas com a qualidade de vida da população como um todo.
O vídeo é bem interessante, e poderia ser adaptado para a nossa realidade, né? (Menos a atuação de quinta categoria dos atores, por favor!)
O vídeo está em inglês, mas as imagens são bem explicativas. :)
Uma reclamação antiga de quem pedala pelas ruas de São Paulo é a falta de respeito por parte de alguns motoristas de ônibus, que acabam jogando o veículo contra a bicicleta que circula pela faixa da direita. Um caso semelhante ocorreu na Grã-Bretanha, e o resultado pode servir de exemplo para nós.
O caso ocorreu em abril de 2011 em Bristol, na Inglaterra, quando um motorista de ônibus jogou o veículo de propósito em direção ao ciclista, que escapou “apenas” quebrando uma perna.
Para o azar do motorista, câmeras de segurança registraram toda a ação e o vídeo foi exibido durante o julgamento. Contra imagens não há argumentos. O motorista se declarou culpado por direção perigosa e lesão corporal, sendo condenado a um ano e cinco meses de prisão.
Já demos algumas dicas para você deixar sua bicicleta mais segura nos paraciclos, mas o blog Ciclismo Urbano publicou uma ilustração muito bacana que pode te ajudar bastante.
Com a falta de bicicletários espalhados pelas cidades, muitas vezes temos de deixar nossas bicicletas presas a postes, grades ou paraciclos. O blog sugere o uso da U-Lock, uma espécie de cadeado em forma de ‘U’, muito mais sólido e seguro do que aquelas correntes com fios metálicos emborrachados.
Veja as dicas de posicionamento abaixo:
Além de seguir as dicas de posicionamento acima, não se esqueça de procurar um paraciclo que esteja preso firmemente ao solo e, de preferência, em um local movimentado. Locais com bastante gente passando dificulta bastante o trabalho dos ladrões.
Lembrando que, além da U-Lock no quadro, é interessante prender a roda que ficou sobrando com uma corrente emborrachada, só para garantir. :)
Pedalar ou não de capacete é sempre uma polêmica por aqui. Algumas pessoassãoa favor, outras afirmam que o uso do capacete não impede lesões mais graves em caso de atropelamento e não cuida da raiz do problema, que seria a agressividade no trânsito.
Polêmicas à parte, vimos no Gizmodo um capacete muito interessante para quem pedala na cidade e não tem um lugar adequado para guardar o equipamento quando não está pedalando.
O capacete dobrável criado pelo estúdio francês Agence 360 fica com um terço do tamanho original quando dobrado e pode caber em qualquer mochila ou até em um bolso mais largo de bermuda, por exemplo.
E qual é nossa posição nessa polêmica do capacete? Toda e qualquer proteção é válida, mas como o capacete não é obrigatório pelo Código Nacional de Trânsito, o Eu Vou de Bike apenas recomenda que cada um pedale da maneira que achar mais responsável, sempre de olho na sua própria segurança e na dos outros a sua volta. Nós não entramos na discussão, mas também não saímos para pedalar sem capacete… :)
A partir do dia 4 de fevereiro, todo ciclista poderá usar as escadas rolantes das estações para se locomover com as bicicletas entre as plataformas do Metrô e das estações ferroviárias de São Paulo. O que antes era uma tarefa um tanto quanto árdua para algumas pessoas (algumas bicicletas pesam mais de 20 quilos!), agora será simplificado.
A campanha divulgada pela Ciclo Liga e repercutida pela imprensa, blogs e outros ciclistas surtiu efeito. O vídeo abaixo, que mostra as dificuldades que o ciclista encontra nas estações, já foi visto mais de 1.500 vezes.
Segundo o blog Na Bike, o uso das escadas rolantes será implantado em período de testes, e “equipes operacionais do Metrô e CPTM irão avaliar como ciclistas e demais usuários se adaptam ao transporte da bicicleta nas escadas rolantes”.
Apesar da boa notícia, a escada rolante só poderá ser usada na subida. Para descer, ainda vamos ter de carregar a bicicleta no lombo. “No sentido de descida das escadas rolantes, o transporte das bicicletas não será liberado, pois requer maior esforço e habilidade do ciclista para garantir a própria segurança e a dos demais usuários”, diz o comunicado divulgado pelo blog Na Bike.
Só lembrando que as bicicletas só podem ser usadas no Metrô de segunda a sexta, a partir das 20h30, aos sábados, a partir das 14h, e o dia todo nos domingos e feriados. Nos trens, só é possível levar a bicicleta aos sábados, a partir das 14h, e o dia todo nos domingos e feriados.
Quanto tempo dura uma bicicleta estacionada em uma rua movimentada? Em Nova York, mais ou menos sete meses.
Para descobrir o que acontece com uma bicicleta na rua, a Red Peak Branding largou uma bike toda equipada em um paraciclo de uma rua movimentada do Soho, em Nova York. Para documentar o que acontecia com a bicicleta, uma foto era tirada diariamente, e o resultado você vê no vídeo abaixo:
Como foi possível observar, a cestinha de vime durou 210 dias, cerca de sete meses! O selim foi embora um pouco depois, por volta do 230º dia. No dia 250, no início do oitavo mês, a roda da frente foi roubada. E não demora muito mais do que isso para que o quadro seja levado.
Quanto tempo será que esse experimento duraria em São Paulo? Alguém quer tentar?